Resumo

Título do Artigo

Bases de poder na cadeia da reciclagem: As relações de influência entre catadores no sertão paraibano
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Tema

Operações sustentáveis e Economia Circular

Autores

Nome
1 - Rosimery Alves de Almeida
Universidade Federal do Ceará - UFC - FEAAC/PPAC
2 - Diego de Queiroz Machado
Universidade Federal do Ceará - UFC - Programa de Pós-Graduação em Administração e Controladoria (PPAC/UFC) Responsável pela submissão
3 - Fátima Regina Ney Matos
Instituto Superior Miguel Torga - Instituto Superior Miguel Torga
4 - Daniel Barboza Guimarães
- Universidade Federal do Ceará
5 - Carolina Maria Furtado Matos
Universidade Federal do Ceará - UFC - Programa de Pós-Graduação em Administração e Controladoria

Reumo

Introdução
O trabalho dos catadores de materiais recicláveis é marcado por vulnerabilidades sociais, desigualdades estruturais e disputas simbólicas, em um contexto no qual o poder se manifesta de formas múltiplas e contraditórias. Embora estigmatizados como figuras descartáveis, esses sujeitos também são reconhecidos por seu saber prático e pela relevância ambiental de suas atividades. Assim, compreender como as bases de poder moldam as interações internas e externas desses trabalhadores é fundamental para avaliar mecanismos de influência em grupos sociais marginalizados.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O problema de pesquisa reside na carência de estudos que investiguem como as bases de poder operam em redes de catadores, considerando suas condições precárias e a centralidade de sua atuação na cadeia da reciclagem. O objetivo do artigo é avaliar as bases de poder que sustentam as relações de influência entre catadores em municípios do sertão paraibano, examinando como formas de coerção, recompensa, legitimidade, informação, expertise e referência estruturam dinâmicas coletivas, configurando relações assimétricas e negociadas.
Fundamentação Teórica
A análise das relações de poder baseia-se em uma tradição que envolve autores como Weber, Foucault, Bourdieu, Arendt e Giddens, enfatizando a complexidade e a difusão do poder nas práticas sociais. Contudo, o artigo toma como eixo central a tipologia de French e Raven, que identifica seis bases de poder: recompensa, coerção, legitimidade, informação, expertise e referência. Essas categorias permitem compreender as formas pelas quais indivíduos exercem influência sobre outros, possibilitando avaliar como tais dinâmicas se materializam no cotidiano de cooperativas de catadores.
Metodologia
A pesquisa seguiu abordagem qualitativa, de cunho interpretativista, fundamentada em entrevistas semiestruturadas com nove catadores de três municípios do sertão paraibano. O trabalho de campo incluiu observação participante com inspiração etnográfica, permitindo captar práticas sociais, subjetividades e narrativas sobre poder e influência. As entrevistas foram gravadas, transcritas e analisadas por meio da técnica de análise de conteúdo, conforme Bardin, contemplando as etapas de categorização, interpretação e recomposição dos dados em diálogo com o referencial teórico adotado.
Análise e Discussão dos Resultados
Os resultados evidenciam que todas as seis bases de poder propostas por French e Raven (1959) emergem nas interações entre catadores. O poder coercitivo manifesta-se em pressões, ameaças e punições, enquanto o poder de recompensa assume formas simbólicas, como reconhecimento e solidariedade. A legitimidade aparece vinculada a regras internas e à autoridade dos mais experientes. O poder informacional revela desafios de acesso e discernimento. Os especialistas são valorizados pelo saber prático acumulado, e as lideranças de referência configuram-se como figuras de admiração e influência moral.
Considerações Finais
Conclui-se que as bases de poder entre catadores transcendem relações individuais, pois são socialmente construídas em contextos de vulnerabilidade e adaptação. A pesquisa demonstra que a influência circula entre formas simbólicas, normativas e práticas, sustentando redes instáveis, mas fundamentais para a sobrevivência e coesão do grupo. O estudo contribui ao evidenciar caminhos para fortalecer cooperativas por meio de gestão participativa, educação continuada, valorização das lideranças e reconhecimento dos saberes locais, ampliando a compreensão dessas dinâmicas em contextos marginalizados.
Referências
ARENDT, H. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007. BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 1977. BOURDIEU, P. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989. CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999. FOUCAULT, M. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 1987. FRENCH, J. R. P.; RAVEN, B. H. The bases of social power. University of Michigan, 1959. WEBER, M. Economia e sociedade. México: Fondo de Cultura Económica, 1984.