Introdução
O mercado de crédito de carbono surgiu nas convenções da ONU, com destaque para o Protocolo de Quioto e o Acordo de Paris, como instrumento de enfrentamento às mudanças climáticas. Visa mitigar gases de efeito estufa por meio de projetos sustentáveis, como reflorestamento, energia renovável, biogás e biomassa, que geram créditos negociáveis. Hoje, é uma das principais ferramentas de política climática, apoiando a descarbonização, o cumprimento de metas de redução de emissões e o avanço dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU para uma economia de baixo carbono.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Este artigo busca responder à seguinte questão: Como as plataformas de startups se conectam e colaboram com projetos sustentáveis para viabilizar operações no mercado de créditos de carbono? O objetivo é o de analisar as conexões e colaborações estabelecidas entre plataformas de startups e projetos sustentáveis no mercado de créditos de carbono, destacando operações envolvidas.
Fundamentação Teórica
O mercado de créditos de carbono é composto pelos segmentos regulamentado e voluntário, ambos guiados por frameworks internacionais, como o Protocolo de Quioto e o Acordo de Paris, além de certificações como Gold Standard e Verified Carbon Standard -VCS (LOKUGE; ANDERS, 2022). As plataformas de startups que atuam nesse mercado seguem critérios rigorosos de verificação, rastreabilidade e transparência, garantindo a credibilidade dos créditos e a confiança de compradores e investidores (OZKAN et al., 2024).
Metodologia
Trata-se de uma pesquisa de caráter qualitativo e combina análise de conteúdo, entrevistas semiestruturadas, com análise de rede, realizada com o auxílio do Atlas.ti, para mapear as conexões entre líderes e gestores. Foram realizadas 17 entrevistas, utilizando a amostragem não probabilística do tipo bola de neve: cinco com gestores de plataformas de startups, 11 com líderes de projetos sustentáveis, e uma com uma empresa de trading. O método permite compreender as percepções dos participantes e os padrões de colaboração no mercado de créditos de carbono.
Análise e Discussão dos Resultados
As plataformas de startups atuam como intermediárias entre projetos sustentáveis e o mercado de créditos de carbono, conectando desenvolvedores, compradores e empresas certificadoras como Gold Standard e Verra. Essas certificadoras validam e certificam os projetos, garantindo critérios técnicos, ambientais e sociais, conferindo credibilidade e rastreabilidade aos créditos. Tecnologias como blockchain, protocolos DeFi/ReFi, SMART e geotecnologias fortalecem essa articulação e viabilizam a oferta consolidada de créditos no mercado.
Considerações Finais
O estudo mostra que o mercado de créditos de carbono se organiza pela interação entre plataformas de startups, projetos sustentáveis e certificadoras, formando uma rede estratégica. As plataformas, com uso de blockchain, intermediam e asseguram confiabilidade; as certificadoras validam e garantem a qualidade dos créditos, viabilizando sua negociação. Essa articulação entre atores e tecnologias fortalece a confiança dos investidores e contribui para mitigar as emissões de gases de efeito estufa.
Referências
LOKUGE, N.; ANDERS, S. Carbon Credit Systems in Agriculture: A Review of Literature. The School of Public Policy Publications, [s. l.], v. 15, n. 1, 14 abr. 2022. DOI 10.55016/ojs/sppp.v15i1.74591. Disponível em: https://journalhosting.ucalgary.ca/index.php/sppp/article/view/74591. Acesso em: 1 jul. 2025.
OZKAN, O.; OLANIPEKUN, I. O.; OLASEHINDE-WILLIAMS, G. Dynamic correlation among renewable energy, technology, and carbon markets: Evidence from a novel nonparametric time-frequency approach. Renewable Energy, [s. l.], v. 237, p. 121667, dez. 2024. https://doi.org/10.1016/j.renene.2024.121667