Resumo

Título do Artigo

SUCESSÃO FAMILIAR: DESAFIOS ENFRENTADOS POR MULHERES NO CONTEXTO DA AGRICULTURA
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Tema

Agronegócios e Sustentabilidade

Autores

Nome
1 - Kalany Martins de Siqueira
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2 - Vanessa de Campos Junges
Universidade Federal de Santa Maria - UFSM - Programa de Pós-Graduação em Administração / Doutorado Acadêmico Responsável pela submissão
3 - Ana Luiza Rossato Facco
- Universidade Federal de Santa Maria
4 - Fábio Dal-Soto
Universidade de Cruz Alta - Unicruz - Curso de Administração
5 - Luisa Cristina Carpovinski Pieniz
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Reumo

Introdução
A agricultura é fundamental para a segurança alimentar e para o desenvolvimento econômico, especialmente no Brasil (PONTES et al., 2024). A modernização tecnológica e as mudanças sociais têm tornado a gestão rural mais complexa, evidenciando desafios como a ausência de sucessores e a falta de ferramentas de gestão, sobretudo na agricultura familiar (DE MERA et al., 2022). Nesse cenário, a sucessão familiar destaca-se pela participação feminina, historicamente marcada por desigualdades e barreiras culturais (TESTON; FILIPPIM, 2016; SCALON, 2021), com lacunas de estudos no agronegócio.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Ancorado no exposto, surge a seguinte problemática: quais desafios são vivenciados pelas mulheres enquanto sucessoras na agricultura? Para tanto, o objetivo desta pesquisa é analisar os desafios vivenciados por mulheres na sucessão familiar no contexto da agricultura.
Fundamentação Teórica
No meio rural, a sucessão familiar é central para garantir a continuidade das propriedades, dependentes da mão de obra dos familiares (WESTPHALEN, 2017). Trata-se de um processo estruturado que envolve identificação, preparação do sucessor e transferência da gestão (OLIVEIRA; VIEIRA FILHO, 2019). Apesar de estratégica, pode gerar conflitos e indefinições (DE FREITAS; FREZZA, 2005; DE ANDRADE et al., 2020). No agronegócio, a expansão exige sucessores qualificados, mas as mulheres enfrentam preconceito, restrições de recursos e falta de reconhecimento (KRUGER et al., 2018).
Metodologia
A pesquisa, de natureza qualitativa e descritiva (GIL, 2021), buscou compreender os desafios de mulheres na sucessão agrícola. Entrevistaram-se seis agricultoras de Boa Vista do Incra/RS, atuantes em pequenas, médias e grandes propriedades, com trajetórias distintas de inserção. As entrevistas foram semiestruturadas, presenciais e com duração média de 15 minutos. O acesso ocorreu via Emater, que apoiou o contato e forneceu informações. O número foi definido por saturação (RIBEIRO; DE SOUZA; LOBÃO, 2018). Os dados foram analisados por análise de conteúdo (BARDIN, 2016).
Análise e Discussão dos Resultados
O papel das mulheres na sucessão agrícola reflete transformações nas dinâmicas de gestão rural (DABROWSKI, 2020). Antes vistas como coadjuvantes, hoje assumem protagonismo, trazendo inovação e contribuindo na produção, gestão financeira e tomada de decisões. Contudo, ainda enfrentam preconceito, falta de valorização e barreiras de acesso a liderança (SILVA; OLIVEIRA, 2019). A sucessão, em um setor dominado por homens, exige superar resistências e reconhecer as mulheres como peças-chave para a continuidade, inovação e sustentabilidade dos negócios (ABDALA; BINOTTO; BORGES, 2022).
Considerações Finais
A trajetória feminina no campo mostra avanços, com maior presença na gestão e adoção de práticas inovadoras, mas persistem desafios culturais, como o estigma de que seu papel deve se restringir ao espaço doméstico. As entrevistas revelaram contribuições em cuidado, visão estratégica e sustentabilidade, embora pouco reconhecidas. A sucessão familiar exige planejamento, capacitação e diálogo intergeracional, somados à superação de preconceitos de gênero. O estudo reforça a importância de políticas públicas e iniciativas de apoio as mulheres, alinhadas ao ODS 5, para fortalecer o protagonismo.
Referências
ABDALA, R. G.; BINOTTO, E.; BORGES, J. A. R. Sucessão da Fazenda Familiar: evidências a partir da capacidade de absorção, capital social e aspectos socioeconômicos. RESR, v. 60, n. 4, p. e235777, 2022. DE MERA, C. M. P. et al. Gestão e sucessão familiar na atividade leiteira e apontamentos para políticas públicas. RPA, v. 31, n. 4, p. 24-24, 2022. PONTES, A. P. I. et al. Percepção de mulheres sobre sucessão familiar rural no município de Paragominas, estado do Pará. CLCS v. 17, n. 2, p. e4818-e4818, 2024. SILVA, A. L.; OLIVEIRA, S. F. de. A mulher na sucessão familiar e sua atuação na gestão.