Introdução
As cidades enfrentam desafios ligados ao crescimento populacional, mudanças climáticas e desigualdade socioespacial. Nesse contexto, os conceitos de cidades sustentáveis e inteligentes orientam soluções em mobilidade, saneamento, resíduos, energia e governança, em consonância com a Agenda 2030 da ONU, o ODS 11 e normas da ABNT. No Brasil, Campo Grande (MS) destaca-se pelo uso de tecnologia, gestão socioambiental e busca pela certificação CIRS (Cidades Inteligentes, Resilientes e Sustentáveis). Este estudo qualitativo e exploratório analisa suas estratégias, avanços e limites.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O problema desta pesquisa está em compreender como Campo Grande (MS) tem articulado inovação tecnológica, governança e sustentabilidade para enfrentar os desafios urbanos atuais e avançar na certificação CIRS (Cidades Inteligentes, Resilientes e Sustentáveis). O objetivo é analisar as estratégias adotadas pelo município, evidenciando conquistas, limites e obstáculos, e avaliar em que medida essas ações colaboram para consolidar a cidade como referência nacional em inteligência urbana, resiliência socioambiental e sustentabilidade integrada.
Fundamentação Teórica
O debate sobre cidades sustentáveis e inteligentes tem avançado, especialmente na América Latina, onde persistem desigualdade, falta de infraestrutura e forte pressão ambiental. A sustentabilidade urbana busca conciliar crescimento econômico, proteção ambiental e justiça social (ACSELRAD, 2001; LEITE, 2012). A inteligência urbana envolve tecnologias digitais, inovação social e governança participativa (HARRISON; DONNELLY, 2011). ODS 11 e normas ABNT orientam práticas, mas autores como Hollanda (2008) e Bolay (2020) alertam para o risco de adoção acrítica.
Metodologia
A pesquisa é qualitativa, de caráter exploratório-descritivo, organizada em três eixos. O primeiro compreendeu revisão bibliográfica e documental sobre cidades sustentáveis e inteligentes, com base na Agenda 2030, ODS 11, Estatuto da Cidade, Plano Diretor, Lei nº 4.864/2010, Decreto nº 13.192/2017 e normas ABNT ISO. O segundo eixo consistiu na análise de dados secundários, como rankings, relatórios e indicadores urbanos. O terceiro eixo envolveu estudo de caso em Campo Grande (MS), com análise de conteúdo (Bardin, 2016), categorizando dimensões de sustentabilidade, governança e inovação.
Análise e Discussão dos Resultados
Campo Grande avançou em saneamento, mobilidade e inovação digital, alcançando destaque no Ranking Connected Smart Cities e em projetos como Arbolink e Conecta. Entretanto, permanecem desafios como desigualdade socioespacial, baixa cobertura verde e gestão de resíduos. Para enfrentá-los, foram criados marcos legais, como a Lei nº 4.864/2010 e o Decreto nº 13.192/2017, que regulamentam a gestão de resíduos da construção civil. Apesar dos progressos, a consolidação como cidade inteligente e sustentável exige fortalecer a governança participativa e integrar políticas setoriais.
Considerações Finais
O estudo evidenciou que, embora Campo Grande (MS) apresente avanços, ainda persistem lacunas relacionadas à desigualdade socioespacial, à mobilidade urbana e à gestão de resíduos. Recomenda-se que futuras pesquisas aprofundem a análise sobre a efetividade da participação cidadã, a articulação entre Plano Diretor e políticas setoriais e o papel das tecnologias na redução das desigualdades, contribuindo para a consolidação de cidades mais inclusivas, resilientes e sustentáveis.
Referências
ACSELRAD, H. O que é justiça ambiental. 2001.
ABNT. NBR ISO 37120. 2017; NBR ISO 37122. 2020; NBR ISO 37123. 2020.
BARDIN, L. Análise de conteúdo. 2016.
BOLAY, J.-C. Urban planning against poverty. 2020.
BRASIL. Estatuto da Cidade. Lei nº 10.257, 2001.
CAMPO GRANDE. Lei nº 4.864, 2010. Gestão de resíduos da construção civil.
CAMPO GRANDE. Decreto nº 13.192, 2017. Regulamenta gestão de resíduos.
HARRISON, C.; DONNELLY, I. A theory of smart cities. 2011.
HOLLANDA, R. Will the real smart city please stand up? 2008.
LEITE, C. Cidades sustentáveis, cidades inteligentes. 2012.
ONU. Agenda 2030.2015.