Introdução
As Indicações Geográficas são sinais distintivos que identificam produtos cuja qualidade, características ou reputação estão diretamente vinculadas à sua origem geográfica (WIPO, 2025). No vinho, evidencia-se que a IG é percebida como indicativo de qualidade e autenticidade. Falcão e Révillion (2009), observaram que 62% dos enófilos brasileiros consideram IG atributo importante na escolha de vinhos, associando-a a fatores como tipicidade, tradição e condições específicas da região de produção.
Problema de Pesquisa e Objetivo
A presente pesquisa buscou aprofundar a compreensão sobre as Indicações Geográficas aplicadas ao setor vitivinícola brasileiro a partir de uma pergunta norteadora: como a temática da Indicação Geográfica no vinho brasileiro tem sido abordada em dissertações e teses acadêmicas? Para isso, o objetivo deste estudo é mapear as dissertações e teses sobre a IG no vinho brasileiro, identificando a distribuição temporal das publicações, bem como a vinculação institucional das dissertações e teses, observando-se as universidades e os respectivos Programas de Pós-Graduação e quais IGs se referem.
Fundamentação Teórica
Para que um sinal seja reconhecido como IG, é necessário que ele associe o produto a um local determinado, sendo que os atributos distintivos do produto devem ser decorrentes de sua origem geográfica. Essa correlação estabelece vinculação direta entre o produto e o território de produção, uma vez que os elementos de qualidade estão ligados às condições ambientais e socioculturais do local (WIPO, 2025). A IG configura-se como instrumento jurídico que reconhece e protege produtos cuja reputação é atribuível à sua procedência geográfica, seja de país, região ou localidade (Suh; MacPherson, 2007).
Metodologia
Uma pesquisa descritiva foi conduzida na Plataforma de Dados de Indicações Geográficas Brasileiras para identificar as IGs nacionais, do produto vinho e no Banco de Teses e Dissertações da CAPES foi conduzida uma análise bibliométrica, e posterior análise. A partir dos critérios e filtros de busca, resultou um portfólio composto por 13 IGs e 32 teses e dissertações.
Análise e Discussão dos Resultados
O Brasil possui 132 Indicações Geográficas, sendo o produto vinho com 13 registros. Os Estados Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Bahia, Pernambuco e Minas Gerais possuem IGs concedidas. As teses e dissertações, entre 2019 e 2024, concentram-se 50% das produções mapeadas. A amostra é composta por dezenove dissertações e treze teses e chega-se ao somatório de 17 instituições de vinculação. Seis áreas, dos Programas de Pós-Graduação, correspondem aproximadamente a 72% do portfólio, uma predominância nas áreas administrativas de gestão, administração e negócios.
Considerações Finais
A UFRGS é a universidade com maior quantidade de trabalhos, oito trabalhos e os Programas de Pós-Graduação em Administração e Geografia são os mais presentes. Rio Grande do Sul é o Estado com maior produção científica, 18 trabalhos. A Identificação Geográfica Vale dos Vinhedos, foi a mais estudada pelos autores. Vinte trabalhos, ou seja 62,5% do total do portfólio, foram desenvolvidos a partir desta Indicação Geográfica. As Universidades do Rio Grande do Sul só estudaram Indicações Geográficas. concedidas no Rio Grande do Sul.
Referências
FALCÃO, T. F.; RÉVILLION, J. P. P. A indicação geográfica de vinhos finos segundo a percepção de qualidade de enófilos. Ciência Rural, v. 39, n. 5, p. 1491-1497, 2009.
SUH, J.; MACPHERSON, A, The impact of geographical indication on the revitalisation of a regional economy: a case study of ‘Boseong’ green tea. AREA, v. 39, n. 4, p. 518-527, 2007.
WIPO – WORLD INTELLECTUAL PROPERTY ORGANIZATION. Geographical Indications: An Introduction. Geneva: WIPO, 2025. Disponível em: https://www.wipo.int/publications/en/details.jsp?id=438. Acesso em: 6 maio 2025.