Introdução
O Relatório Global de Riscos do Fórum Econômico Mundial pesquisa empresas, governos, sociedade civil e líderes de pensamento para entender os riscos mais avaliados por organizações em todo o mundo. Na última década, os riscos mudaram significativamente em direção às dimensões ambiental, social e de governança (ESG). A Gestão de Riscos Corporativos (GRC) é a parte da gestão estratégica da organização que assegura que objetivos sejam cumpridos dentro dos limites de risco pré-estabelecidos. Incorporar dimensões ESG na GRC potencializa capacidades em mapear oportunidades e aumenta a resiliência.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Esta pesquisa tem o objetivo de propor um modelo para definir estratégias de tratamento de riscos relacionados às dimensões ESG em organizações, bem como oferecer um modelo aplicado para auxiliar gestores. Assim como a definição de ESG não é universal, menos definidos são os riscos relacionados a essas três dimensões. Organizações tendem a implementar suas próprias significações, baseadas em seus modelos de negócios, ambientes internos e externos, missões, visões, valores e portifólios de produtos e serviços. Esta pesquisa contribui para estreitar a conexão entre GRC, estratégia e ESG.
Fundamentação Teórica
Esta pesquisa é principalmente baseada nas relações entre gestão de riscos, estratégia e desempenho propostas pelo Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission (COSO), pela International Organization for Standardization (ISO) e nos riscos do ambiente de valor de Oliva (2016). Também pelas relações entre riscos e dimensões ESG do Sustainability Accounting Standards Board (SASB), da Global Reporting Initiative (GRI) e do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), entre outras publicações científicas e referências de organizações dedicadas e da academia.
Metodologia
Trata-se de pesquisa qualitativa com abordagem por Design Science Research (DSR) para construir um artefato: o modelo para avaliação e tratamento de riscos ESG. Inicialmente, uma revisão da literatura foi utilizada para compor um modelo teórico. Em seguida, o modelo foi discutido com oito especialistas para avaliar sua aplicabilidade e sugerir alterações. Colaboraram profissionais de gestão ESG e de riscos, com média superior a 20 anos de atuação. Finalmente, o modelo foi desenvolvido em forma de planilha para ser diretamente aplicado às organizações (modelo operacional).
Análise e Discussão dos Resultados
O modelo foi composto nos pilares E, S e G em nove temas dispostos em forma de matriz, com exemplos de fontes de risco. Os insights dos profissionais apontaram a necessidade de separação entre estratégias clássicas de resposta a riscos e implicações dessas estratégias aos outros riscos (i.e. interações entre aceitar, reduzir, transferir, compartilhar ou evitar com os riscos residuais) e agentes do ambiente de valor (i.e. oportunidades identificadas a partir da ação geral de resposta ao risco). O resultado é uma ferramenta aplicável par definir tratamentos para riscos ESG em organizações.
Considerações Finais
O modelo desenvolvido pretendeu avançar na conexão entre gestão de riscos e a agenda ESG das organizações, à qual gestores atribuem crescente importância (e preocupação) e que é ainda pouco estruturada no contexto acadêmico de estratégia em organizações. Um propósito foi oferecer um modelo prático para gestores, justificando a opção pelo método DSR. Apesar de construído com base teórica robusta e sugestões de especialistas experientes, o modelo tem limitações, sendo a principal delas não ter sido ainda aplicado em um caso real, o que também é uma sugestão para estudos futuros.
Referências
Referências principais: COSO (2004, 2017); ISO (2018); COSO e WBCSD (2018); MENARD E SHIRLEY (2005); RICHTER (2015); OLIVA et al. (2022, 2024); MSCI (2023); GRI (2023); SASB (2020); IFRS (2025) e WBCSD (2025).