Introdução
O cooperativismo cafeeiro configura-se como um dos pilares do agronegócio brasileiro, notadamente em Minas Gerais, estado responsável por mais de 50% da produção nacional. No Cerrado Mineiro, as cooperativas assumem relevância ímpar, articulando milhares de pequenos e médios produtores e promovendo desenvolvimento regional por meio de práticas que integram dimensões econômicas, sociais e ambientais. Essa atuação multidimensional posiciona essas organizações como agentes potencialmente estratégicos para a consecução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Problema de Pesquisa e Objetivo
Propõe-se a questão deste artigo: de que forma as práticas desenvolvidas pelas cooperativas cafeeiras do Cerrado Mineiro contribuem para a efetivação dos ODS na região? O objetivo do artigo é, assim, analisar como as práticas organizacionais das cooperativas cafeeiras do Cerrado Mineiro contribuem para a efetivação dos ODS na região.
Fundamentação Teórica
As cooperativas são organizações alinhadas aos princípios de sustentabilidade, integrando dimensões econômica, social e ambiental (Schneider, 2015). Seu modelo baseia-se em valores como democracia, equidade e interesse pela comunidade (Baraibar-Diez & Sotorrío, 2018), os quais convergem naturalmente com a Agenda 2030. Estudos recentes destacam o papel dessas entidades na implementação de práticas ESG e no avanço dos ODS, especialmente no setor agropecuário (Krug et al., 2024).
Metodologia
Realizou-se uma pesquisa documental, de natureza qualitativa e descritiva, com foco nas cooperativas Expocacer e Cooxupé. A análise baseou-se nos relatórios de sustentabilidade e ESG de 2024, utilizando a técnica de análise de conteúdo. Os dados foram cruzados com o referencial teórico para interpretar as práticas de governança e sustentabilidade à luz dos ODS, assegurando rigor metodológico na triangulação das informações.
Análise e Discussão dos Resultados
A análise revelou modelos de governança robustos nas cooperativas estudadas, com estruturas profissionais e participação democrática (Cunha et al., 2021). As práticas de compliance, transparência e comitês ESG demonstram alinhamento com os ODS 8, 16 e 12 (Krug et al., 2024). A articulação entre performance econômica e responsabilidade socioambiental evidencia a operacionalização do Triple Bottom Line (Schneider, 2015), reforçando o cooperativismo como vetor de desenvolvimento sustentável no setor cafeeiro.
Considerações Finais
O estudo confirma que as cooperativas analisadas possuem modelos de governança alinhados aos ODS, integrando eficiência econômica, responsabilidade social e ambiental. Seus avanços em transparência, compliance e práticas ESG demonstram a viabilidade do cooperativismo como modelo sustentável. A pesquisa oferece subsídios para gestores e políticas públicas, embora a limitação de fontes secundárias sugira a necessidade de estudos futuros com abordagem empírica para aprofundar a análise qualitativa.
Referências
Baraibar-Diez, E., & Sotorrío, L. L. (2018). O efeito mediador da transparência na relação entre responsabilidade social corporativa e reputação corporativa. Revista Brasileira de Gestao de Negocios, 20(1), 5–21.
Krug, A. U., Padula, A. D., & Waquil, P. D. (2024). Práticas de sustentabilidade ESG, desempenho econômico, princípios do cooperativismo e ODS nas cooperativas agropecuárias do Rio Grande do Sul. Revista de Economia e Agronegócio - REA, 22(1), 1–22.
Schneider, J. O. (2015). Cooperativismo e desenvolvimento sustentável. Otra Economía, 9(16), 94–104.