Resumo

Título do Artigo

POTÊNCIA NA CADEIA DE VALOR: COMO GRANDES EMPRESAS PODEM GERAR VALOR COM MICRO E PEQUENAS EMPRESAS
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Tema

Operações sustentáveis e Economia Circular

Autores

Nome
1 - Anauyla Batista
Fundação Dom Cabral - FDC - Fundação Dom Cabral Responsável pela submissão
2 - Daiane Neutzling
Fundação Dom Cabral - FDC - Educação Acadêmica

Reumo

Introdução
As micro e pequenas empresas (MPEs) respondem por mais de 50% dos empregos e cerca de 30% do PIB brasileiro, mas seguem pouco priorizadas nas estratégias corporativas. Embora sejam parte essencial das cadeias de valor, desde suprimentos até a distribuição final, permanecem latentes em programas de desenvolvimento e sem estratégia de contratação diferenciada. Este estudo investiga essa lacuna, analisando como grandes empresas podem integrá-las de forma estratégica, fortalecendo competitividade, inovação, adaptação climática e justiça social.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Problema de Pesquisa e Objetivo: Como micro e pequenos fornecedores podem ser integrados de forma estratégica às cadeias de suprimentos de empresas alinhadas à agenda da sustentabilidade? Objetivo Geral: Analisar como as grandes empresas incluem PMEs em programas ou iniciativas de desenvolvimento de fornecedores e cadeia de valor sustentável
Fundamentação Teórica
A literatura de Sustainable Supplier Development (SSD) aponta que o desenvolvimento de fornecedores exige práticas colaborativas, como transferência de conhecimento e projetos conjuntos (Beske & Seuring, 2014). Porém, há inconsistências teóricas e lacunas conceituais (Bai & Satir, 2022), especialmente sobre inclusão de MPEs. Estudos recentes destacam seu potencial para inovação territorial, resiliência e justiça social (Silva et al., 2021; Jia et al., 2023), mas mostram que permanecem invisíveis em estratégias corporativas, reforçando a necessidade de novos modelos.
Metodologia
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva, fundamentada em análise documental e entrevistas. Foram examinados relatórios de sustentabilidade de 60 grandes empresas brasileiras, com aprofundamento em 44 delas, além de 19 entrevistas com executivos de 18 organizações de setores diversos. A coleta foi sistematizada por análise de conteúdo (Bardin, 2011), permitindo identificar padrões, barreiras, contradições e boas práticas. O desenho metodológico combinou rigor acadêmico e olhar prático para ampliar a robustez dos achados.
Análise e Discussão dos Resultados
Os resultados revelam que políticas de sustentabilidade, estratégias e programas de desenvolvimento de fornecedores concentram esforços em parceiros médios e grandes, deixando as MPEs em posição periférica. As entrevistas evidenciaram tensões entre a lógica de gestão de riscos, que privilegia robustez, e a lógica de inclusão produtiva, que exige paciência organizacional e governança diferenciada. Apesar disso, emergem iniciativas que fortalecem capilaridade, inovação territorial e resiliência, indicando que cadeias inclusivas ampliam competitividade e legitimidade social.
Considerações Finais
O estudo amplia a literatura de SSD (Sustainable Supplier Development ) ao evidenciar a inclusão produtiva como estratégia competitiva, e não como prática filantrópica. Mostra que arranjos colaborativos, políticas equitativas e programas de capacitação são caminhos para transformar cadeias de valor em plataformas de inovação, justiça social e resiliência territorial. Para a prática, oferece subsídios a gestores que buscam alinhar ESG e competitividade. Para a academia, abre agendas para pesquisas longitudinais e comparativas entre setores e países.
Referências
Seuring & Müller (2008); Porter & Kramer (2011); Dzhengiz (2020); OECD (2018); IPCC (2022); UNFCCC (2021); WEF (2023); UNEP FI (2021).