Resumo

Título do Artigo

POR UMA POLÍTICA DA HUMANIDADE PARA ALÉM DO DESENVOLVIMENTO NA AMAZÔNIA: UMA ABORDAGEM BASEADA NA COMPLEXIDADE MORINIANA
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Tema

Estudos da Amazônia

Autores

Nome
1 - Cristiano Sordi Schiavi
Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS - Escola de Administração Responsável pela submissão

Reumo

Introdução
A crise planetária multidimensional, intensificada pela tríade globalização-ocidentalização-desenvolvimento (Morin, 2015), encontra na Amazônia um epicentro crítico. O bioma enfrenta risco de savanização, pressionado por um modelo de desenvolvimento predatório que evidencia os limites do pensamento simplificador frente a problemas complexos.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Diante da "Crise Planetária" decorrente da tríade Globalização-Ocidentalização-Desenvolvimento (Morin, 2015), como pensar politicamente o risco de savanização na Amazônia, superando a visão reducionista do desenvolvimento convencional? O artigo tem como objetivo construir e propor o framework "Política da Humanidade", baseado no pensamento complexo de Morin, como uma alternativa teórica para integrar dimensões ecológicas, democráticas e éticas em políticas destinadas a enfrentar a crise amazônica.
Fundamentação Teórica
Morin (2015) advoga a superação do paradigma da simplificação pelo pensamento complexo, capaz de religar saberes. A "Crise Planetária" – crises ecológica, social, política e cognitiva interdependentes – é impulsionada por motores incontroláveis (ciência, técnica, economia, lucro) e agravada pelo conceito insuficiente de "desenvolvimento" (Morin, Kern, 2011). Como alternativa, propõe a "Política da Humanidade", articulando uma política de civilização, ética solidária, governança global reformada e uma visão dialógica, baseada num "pensamento ecologizado" (Morin, 1991).
Metodologia
A pesquisa, de natureza qualitativa teórico-conceitual, segue o paradigma da complexidade. Baseia-se na análise da obra de Morin, revisão de literatura crítica sobre desenvolvimento sustentável e análise de dados sobre a crise amazônica. Inclui a síntese de debates contemporâneos (agroecologia, bioeconomia) e entrevistas semiestruturadas com 22 pesquisadores de diversas áreas. A análise de conteúdo das entrevistas permitiu a construção e refinamento do framework "Política da Humanidade", organizado em 15 eixos inter-relacionados aplicados à Amazônia.
Análise e Discussão dos Resultados
Os resultados apresentam o framework "Política da Humanidade", estruturado em 15 eixos inter-relacionados aplicados à Amazônia. Destacam-se a regeneração do pensamento político, a superação do economicismo via "envolvimento", uma política de civilização focada na qualidade de vida, o fortalecimento da democracia participativa e a integração de vias complementares (ex.: crescimento/decrescimento). O framework propõe ações concretas como bioeconomia floresta em pé, reforma agrária agroecológica, garantia de direitos indígenas e uma reforma educacional para a cidadania terrestre.
Considerações Finais
A Amazônia encontra-se num ponto de bifurcação entre o abismo e a metamorfose. O framework "Política da Humanidade" surge como ferramenta conceptual para essa transição, complexificando a noção de desenvolvimento. Sua aplicação exige governança multinível, fortalecimento da sociedade civil e nova narrativa cultural que veja a floresta como sistema de vida, não como fronteira. Conclui-se pela urgência de religar saberes no projeto de Terra-Pátria, sugerindo-se pesquisas futuras com backcasting para testar a aplicação do framework em políticas públicas.
Referências
ACOSTA, A. O bem viver. São Paulo: Elefante, 2016. BECKER, B.; STENNER, C. Um Futuro para a Amazônia. São Paulo: Oficina de Textos, 2012. DUSSEL, E. 20 teses de política. São Paulo: Expressão Popular, 2007. KRENAK, A. A vida não é útil. São Paulo: Companhia das Letras, 2020. LOVEJOY, T. E.; NOBRE, C. Amazon Tipping Point. Science Advances, v. 4, n. 2, 2018. MORIN, E. A Via para o Futuro da Humanidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2015. MORIN, E.; KERN, A. B. Terra-Pátria. Porto Alegre: Sulina, 2011. STEFFEN, W. et al. Planetary boundaries. Science, v. 347, n. 6223, 2015.