Introdução
Os relatórios de sustentabilidade permitem às empresas identificar, mensurar e gerenciar seus riscos, em especial os riscos climáticos. A crise climática exige o compromisso das organizações com metas claras e a divulgação estruturada de desempenho ambiental, social e de governança e para viabilizar esse processo, destaca-se a importância da padronização normativa estabelecida pela Fundação IFRS e ISSB via publicação da norma IFRS S2 voltada para as divulgações relacionadas ao clima.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Problema de pesquisa: qual o nível de aderência do reporte da empresa Suzano à norma IFRS S2?
Objetivo consiste em verificar essa aderência voluntária no Relatório de Sustentabilidade de 2024, identificando os fatores que a influenciam.
Fundamentação Teórica
A teoria das partes interessadas estabeleceu fundamentos para a visão estratégica da responsabilidade corporativa (KATSOULAKOS; KATSOULAKOS, 2007). Os autores defendem que responsabilidade corporativa e sustentabilidade são dimensões estratégicas derivadas da RSC, da sustentabilidade e da governança corporativa, e que as estratégias voltadas aos stakeholders aumentam valor, capacidade de resposta e responsabilidade.
A IFRS S2 tem o objetivo é fornecer informações sobre riscos e oportunidades relacionados ao clima que influenciem fluxos de caixa, acesso a financiamentos e custo de capital.
Metodologia
Emprega o método qualitativo e exploratório, caracterizando-se como estudo de caso. Constitui-se como fonte das informações o Relatório de Sustentabilidade de 2024 da empresa Suzano no qual consta que se considera as diretrizes da IFRS S2.
Fez-se análise do conteúdo do Relatório de Sustentabilidade de 2024 da Suzano, sendo sistematizada conforme a estrutura do conteúdo da IFRS S2. Foi elaborado um checklist dos temas e calculada a proporção de atendimento. Recorreu-se à literatura para identificar os fatores explicativos.
Análise e Discussão dos Resultados
O nível de aderência da empresa à norma alcançou 99,4%, somando atendimentos plenos e parciais, o que evidencia forte comprometimento em divulgar informações climáticas, atendendo às expectativas das partes interessadas e promovendo a sustentabilidade organizacional (GARVARE; JOHANSSON, 2010). Esse desempenho pode estar associado à pressão de investidores, ao Comitê de Sustentabilidade e a fatores como eficácia do Conselho e do Comitê de Auditoria, qualidade da auditoria e lucratividade (HIKAL et al., 2025).
Há alguns fatores que podem ter contribuído para o não atendimento pleno.
Considerações Finais
Há um alto nível de aderência em três temas — governança, gestão de riscos e metas — sendo que governança foi plenamente atendido. Já em estratégia e métricas, o desempenho foi baixo, com dois subitens de metas não cumpridos. Contudo, a empresa precisa aprimorar seu reporte climático, sobretudo nesses dois últimos temas. Entre os fatores positivos destacam-se a pressão de investidores, a estrutura de governança e a lucratividade. Já entre os negativos, a literatura sugere a escassez de recursos financeiros e técnicos, sendo necessário aprofundar o estudo para confirmar as causas.
Referências
GARVARE, R.; JOHANSSON, P. Management for sustainability – A stakeholder theory. Total Quality Management, [s. l], v. 21, n. 7, p. 737-744, 2010.
HIKAL, H. M. M., et al. Institutional ownership and Climate-Related Disclosures in Malaysia: the moderating role of Sustainability Committees. Sustainability, [s. l], v. 17, p. 1-29, 2025.
KATSOULAKOS, T.; KATSOULAKOS, Y. Integrating corporate responsibility principles and stakeholder approaches into mainstream strategy: a stakeholder?oriented and integrative strategic management framework. Corporate Governance, [s. l], v. 7, n. 4, p.355-369, 2007.