Resumo

Título do Artigo

RESSIGNIFICANDO MATERIALIDADE EM RELATÓRIOS DE SUSTENTABILIDADE: LIÇÕES DO ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL
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Tema

Comunicação, Indicadores e Modelos de Mensuração da Sustentabilidade

Autores

Nome
1 - Cláudia Viviane Viegas
UFSC Universidade Federal de Santa Catarina - Engenharia e Gestão do Conhecimento
2 - GABRIELA ZORTEA DUARTE
Escola de Gestão e Negócios - Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) - Unisinos
3 - Leízer Santiago Cafarate Larroza
UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Faculdade de Ciências Econômicas Responsável pela submissão
4 - Laura Fabre Renke
UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Faculdade de Economia - Ciências Contábeis
5 - FERNANDA DOS SANTOS FERNANDES
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Reumo

Introdução
Relatórios de sustentabilidade, integrados e ESG são amplamente adotados por empresas de capital aberto, mas ainda enfrentam desafios conceituais e práticos quanto à definição de materialidade, marcada por diferentes interpretações e baixa comparabilidade. Este estudo propõe ressignificar tal conceito a partir das diretrizes do Estudo de Impacto Ambiental (EIA), que preconiza rigor, participação, transparência e visão holística. Busca-se ampliar a relevância social, ambiental e econômica dos relatórios, reduzindo incertezas e fortalecendo sua utilidade para múltiplos stakeholders.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O objetivo deste estudo é revisar criticamente conceitos e procedimentos da avaliação de impacto tradicional e analisar como esses conceitos podem contribuir para ressignificar os conceitos de materialidade que guiam os relatórios de sustentabilidade e afins.
Fundamentação Teórica
A fundamentação integra a tradição dos Estudos de Impacto Ambiental (EIA), que antecipam efeitos nos meios físico, biótico e socioeconômico com rigor, transparência, participação e avaliação de alternativas, e a evolução do conceito de materialidade: da origem financeira centrada no investidor à incorporação de dimensões socioambientais (GRI, SASB). A literatura evidencia lacunas de comparabilidade, rastreabilidade e padronização. Propõe-se alinhar materialidade a princípios do EIA, incluindo impactos cumulativos e saúde pública. Considerar áreas de influência e pluralidade de stakeholders.
Metodologia
O estudo adota o método de revisão crítica da literatura (Davies, 2022), com análise em grupo de pesquisa de pós-graduação. Foram identificados 48 artigos em bases internacionais, dos quais sete foram selecionados pela relevância e profundidade teórica sobre materialidade. As leituras e debates investigaram como princípios do EIA, rigor, transparência, pluralismo e avaliação de impactos cumulativos, podem aprimorar práticas de definição e operacionalização da materialidade nos relatórios.
Análise e Discussão dos Resultados
Os resultados apontam críticas recorrentes: diversidade de interpretações do conceito, baixa comparabilidade entre relatórios e foco restrito a indicadores ambientais e de recursos. O estudo sugere que diretrizes do EIA podem contribuir para maior clareza, rastreabilidade e participação dos stakeholders. Ao considerar impactos positivos e negativos, dimensões sociais e de saúde pública, e alinhar relatórios a políticas e planos de governo, a materialidade pode tornar-se mais robusta e estratégica.
Considerações Finais
Conclui-se que os relatórios de sustentabilidade ainda apresentam fragilidades na definição de tópicos materiais, escolhas de stakeholders e processos de agregação de dados. A incorporação de princípios do EIA pode qualificar esse processo, tornando-o mais transparente e inclusivo. Destaca-se a relevância de integrar dimensões de saúde pública e bem-estar, bem como impactos cumulativos e de longo prazo. O produto da pesquisa é um quadro síntese de críticas e sugestões para aprimorar a materialidade.
Referências
INTERNATIONAL ASSOCIATION FOR IMPACT ASSESSMENT (IAIA). Principles of Environmental Impact Assessment Best Practices, 1999. Disponível em: https://www.iaia.org/wp-content/uploads/2025/05/Portugese-Principles-of-IA.pdf BOND, A., MORRISON-SAUNDERS, A.; HOWITT, R. Framework for comparing and evaluating sustainability assessment practice. In: Bond, A., Morrison-Saunders, A. and Howitt, R., (eds.) Sustainability Assessment Pluralism, Practice and Progress. Routledge, Taylor & Francis Group, Oxon, UK, 2013, 117-131.