Introdução
as relações comerciais de produtores extrativistas na Amazônia brasileira podem resultar em uma invisibilidade das práticas de produção (Porro, 2019), silenciando os trabalhadores e pequenos fornecedores (Stephens et al., 2024), o que dificulta a avaliação e monitoramento das injustiças socioambientais diretamente no local de produção. Grimm et al. (2014) citam que os resultados ambientais e sociais de processos produtivos devem ser analisados no contexto específico em que ocorrem, onde os impactos se manifestam de maneira mais intensa e imediata.
Problema de Pesquisa e Objetivo
a questão da justiça social e ambiental se torna evidente, com a falta de reconhecimento das necessidades e direitos das comunidades, resultando em injustiças econômicas, sociais e ambientais. A problemática levantada é, portanto: quais as injustiças socioambientais enfrentadas por comunidades amazônicas na comercialização dos seus produtos? O objetivo geral deste estudo é analisar a exploração comercial do açaí em uma reserva extrativista federal no estado de Rondônia, na Amazônia brasileira, com foco nas injustiças socioambientais que impactam essas comunidades.
Fundamentação Teórica
A justiça socioambiental estrutura-se em três dimensões centrais: distributiva, de reconhecimento e processual. A primeira, a justiça distributiva, refere-se à forma como recompensas e benefícios são repartidos entre os diferentes atores sociais (Cropanzano, Goldman, & Benson III, 2005; Dewantoro et al., 2022). No contexto dos pequenos fornecedores, políticas públicas e práticas organizacionais devem favorecer especialmente aqueles em situação de maior vulnerabilidade, promovendo melhores condições de acesso aos resultados econômicos e ao conhecimento, com impactos positivos sobre a qualidade
Metodologia
A pesquisa utilizou entrevistas semiestruturadas para investigar as relações de poder, práticas e as condições comerciais que impactam essas comunidades. O lócus de análise é uma associação de seringueiros agroextrativistas localizada dentro da Reserva Extrativista - Resex Rio Ouro Preto, uma das quatro primeiras Unidades de Conservação Federal na categoria de reserva extrativista, criadas no Brasil e a primeira do estado de Rondônia. A reserva está situada nos municípios de Guajará-Mirim e Nova Mamoré, na divisa com a Bolívia. Criada em 1990, a associação tem como objetivos assegurar o livre
Análise e Discussão dos Resultados
Os resultados revelam que a falta de políticas públicas efetivas e o apoio institucional insuficiente comprometem a justiça distributiva na cadeia de valor dos extrativistas da RESEX. A justiça distributiva busca garantir a distribuição equitativa dos benefícios econômicos entre todos os envolvidos na cadeia, especialmente os trabalhadores marginalizados (Fraser, 2020). Nos extrativistas, a ausência de agregação de valor à produção, indicam falhas na justiça distributiva, perpetuando desigualdades e limitando o acesso dos extrativistas aos benefícios gerados pela atividade.
Considerações Finais
O objetivo deste estudo foi analisar a exploração comercial do açaí em uma reserva extrativista federal no estado de Rondônia, na Amazônia brasileira, com foco nas injustiças socioambientais que impactam essas comunidades. Os resultados da pesquisa mostram falta de infraestrutura, a subutilização dos recursos naturais e a invisibilidade dos extrativistas. A aplicação dos conceitos de justiça distributiva, de reconhecimento e processual oferece uma perspectiva para entender os desafios enfrentados pelas comunidades da RESEX, e aponta para a necessidade de políticas públicas e práticas colaborat
Referências
Adamovic, M. (2023). Organizational justice research: A review, synthesis, and
research agenda. European Management Review, 20(4), 762-782.
https://doi.org/10.1111/emre.12564
Alghababsheh, M., Gallear, D., & Saikouk, T. (2023). Justice in supply chain
relationships: A comprehensive review and future research directions. European
Management Review, 20(3), 367-397. https://doi.org/10.1111/emre.12541
Anner, M. (2022) Power relations in global supply chains and the unequal distribution of costs during crises: abandoning garment suppliers and workers during the COVID-19 pandemic. International Labo