Resumo

Título do Artigo

AS PRÁTICAS ESG INFLUENCIAM O DESEMPENHO FINANCEIRO? Evidência de empresas listadas na B3
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Tema

Governança e Sustentabilidade em Organizações

Autores

Nome
1 - Maria Rickaely de Andrade Silva
FEA/USP - Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP - Butantã Responsável pela submissão

Reumo

Introdução
A teoria dos Stockholders defende a maximização do lucro como objetivo central (FRIEDMAN, 1970). No entanto, a crescente conscientização de consumidores e investidores favorece a transição para a lógica dos Stakeholders, que propõe a integração entre práticas socioambientais e desempenho financeiro, bem como maiores chances de agregação de valor para as organizações (FREEMAN; McVEA, 2001; FREEMAN; PHILLIPS, 2002; FREEMAN; PHILLIPS; SISODIA, 2020; FRIEDE; BUSCH; BASSEN, 2015; TALIENTO; FAVINO; NETTI, 2019; ZHAO et al., 2018; SPERCEL, 2024; HART; BOUCHET, 2025).
Problema de Pesquisa e Objetivo
No Brasil, as pesquisas que investigam a relação entre o desempenho ESG e o desempenho financeiro apresentam resultados divergentes. Assim, o presente trabalho tem como objetivo investigar as relações existentes entre indicadores de ESG e indicadores de desempenho financeiro. Tendo em vista, que as práticas ESG não atendem somente aos requisitos regulatórios, mas também como ativos estratégicos, auxiliando na mitigação de riscos e impulsionando a sustentabilidade a longo prazo (POSSEBON; CIPPPICIANI; SAVOIA; MARIZ, 2024; BOCCALETTI; GUCCIARDI, 2025; SHI et al., 2025; YADAV; ASONGU, 2025).
Fundamentação Teórica
Relacionada à visão da teoria dos Stakeholders a sustentabilidade pode contribuir como uma fonte de criação de valor (FENG et al., 2025). A inclusão da concepção da sustentabilidade nas organizações, deu-se principalmente por meio do Triple Bottom Line – TBL (ELKINGTON, 2001), da Responsabilidade Social Corporativa – RSC (CARROLL, 1991), e, posteriormente em 2004, com o surgimento do acrônimo Environmental, Social and Governance – ESG (GILLAN; KOCH; STARKS, 2021). Para mensurar a relação entre desempenho ESG e desempenho Financeiro foram delimitadas quatro hipóteses.
Metodologia
Com base em uma amostra de 60 empresas listadas na B3, no período de 2012 a 2019 - anterior à pandemia da covid-19 -, conforme o trabalho de Roger (2024). Foram estimados sete modelos econométricos por meio de regressões com dados em painel balanceado. As variáveis foram classificadas em três categorias: ESG, financeiras e controle. Os dados ESG foram obtidos na base CRSHub Consensus ESG Ratings. Para o desempenho financeiro, coletou-se no site da Comissão de Valores Mobiliários – CVM.
Análise e Discussão dos Resultados
Os resultados evidenciaram que a classificação ambiental afeta negativamente o desempenho financeiro, medido pelo lucro por ação, possivelmente pelo retorno financeiro não imediato. A governança apresentou relação positiva com o lucro por ação, indicando que boas práticas podem contribuir para o resultado financeiro das organizações. Na direção inversa, observaram-se efeitos significativos, porém negativos das variáveis de desempenho financeiro. A pesquisa diferencia-se dos estudos anteriores por trazer evidências que contradizem a perspectiva da teoria dos stakeholders.
Considerações Finais
Os níveis de práticas sociais não são determinantes do desempenho financeiro, representado pelos indicadores ROA, ROE e LPA das empresas analisadas, em linha com DeAngelo (2024). Esse resultado corrobora o argumento de Crisóstomo et al., (2014) sobre a existência de uma pressão social ainda pouco relevante no Brasil. Com relação à governança, foi identificada uma relação positiva e estatisticamente significativa com o desempenho financeiro, medido pelo LPA, sugerindo que maiores níveis de governança podem estar relacionados a melhores desempenhos financeiros.
Referências
DEANGELO, H. ESG, corporate piracy and Coasian contracting efficiency. European Financial Management, v. 31, n. 1, p. 3–25, 2025. DOI: https://doi.org/10.1111/eufm.12522. DSOUZA, S. et al. Sustainable investing: ESG effectiveness and market value in OECD regions. Cogent Economics & Finance, v. 13, n. 1, p. 27, 2024. FREEMAN, R. E.; PHILLIPS, R.; SISODIA, R. Tensions in Stakeholder Theory. Business & Society, v. 59, n. 2, p. 213–231, 2020. FRIEDE, G.; BUSCH, T.; BASSEN, A. ESG and financial performance: aggregated evidence from more than 2000 empirical studies. Journal of Sustainable Finance