Introdução
A urbanização se deu de forma rápida no Brasil, o que não envolveu a arborização urbana. Em 2025, o IBGE divulgou dados sobre as características do entorno dos domicílios, incluindo sobre a arborização. Os resultados apontaram que 33% da população urbana residia em ruas sem árvores, a proporção cresce para a população parda (37%) e preta (40%).
A partir disso, este estudo discutiu os aspectos históricos e sociais que contribuíram para o atual cenário urbano brasileiro: o processo de urbanização, o planejamento urbano, o uso do espaço público e o aprofundamento das desigualdades estruturais.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O problema de pesquisa proposto foi: Como se deu o processo de planejamento urbano no Brasil, em particular acentuando os aspectos relacionados à desigualdade social e o acesso às áreas mais arborizadas? A partir dele, o presente artigo busca entender os aspectos históricos e sociais que contribuíram para o atual cenário brasileiro, analisando o processo de urbanização, com o aprofundamento das desigualdades, prevalência do modal rodoviário e baixa preocupação com a arborização urbana e a qualidade ambiental dos espaços públicos urbanos.
Fundamentação Teórica
A urbanização é um fenômeno recente. De acordo com a ONU (2018), a população residente em áreas urbanas no mundo inteiro passou de 751 milhões em 1950 para 4.2 bilhões em 2018, atingindo 55% da população mundial total. Ou seja, um crescimento de aproximadamente 5,6 vezes em apenas 78 anos.
No Brasil, o processo se intensificou a partir da década de 1940, com o avanço da indústria nacional e o êxodo rural brasileiro, passando de 26% de população urbana em 1940 para 77% em 1991 (Santos, 2013).
Metodologia
Este estudo foi realizado a partir de uma revisão bibliográfica e análise documental. Foram consultados artigos científicos, livros acadêmicos, legislações e dados oficiais produzidos pelo IBGE, a fim de compreender a evolução histórica e os fatores que influenciaram a configuração atual das cidades brasileiras, em particular em relação à arborização.
Análise e Discussão dos Resultados
A urbanização brasileira gerou cidades mal planejadas. O planejamento urbano favoreceu o transporte individual motorizado, modal esse extremamente ineficiente no uso dos espaços públicos.
Com a maior parte dos espaços públicos destinados aos carros, não houve preocupação com os meios não motorizados, levando a uma baixa arborização e baixa qualidade das calçadas.
Outro ponto é desigualdade social, que empurrou os mais pobres para as periferias, áreas marcadas pela ausência de formalidade e uma ocupação que ocorreu às margens das leis de zoneamento e planejamento urbano.
Considerações Finais
As cidades brasileiras, majoritariamente, são resultados do intenso crescimento populacional a partir da década de 1940, marcado pela desigualdade espacial e pelo predomínio e incentivo ao modelo rodoviário e pela ausência de preocupação com a caminhabilidade nas cidades, refletindo em uma baixa arborização, o que impacta diretamente o conforto térmico, a qualidade do ar e de vida nas cidades.
Diante disso, se faz necessário a revisão desse modelo centrado no automóvel e o fortalecimento das legislações, como o Estatuto da Cidade e a PNMU, que focam mais em um uso coletivo do espaço urbano.
Referências
IBGE. Censo Demográfico: Tabela 6750 - Moradores em domicílios particulares permanentes ocupados, em setores censitários selecionados para a Pesquisa Urbanística do Entorno dos Domicílios, por sexo, cor ou raça e existência e características do entorno. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/6750.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. 2018 Revision of World Urbanization Prospects. 2018. Disponível em: https://www.un.org/en/desa/2018-revision-world-urbanization-prospects.
SANTOS, Milton. A Urbanização Brasileira. 5. ed. 3. reimpr. - São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2013.