Introdução
A Amazônia abriga vasta diversidade cultural, socioambiental e epistemológica, onde saberes tradicionais de povos ribeirinhos permanecem invisibilizados pela ciência hegemônica e pelas políticas de desenvolvimento. As Epistemologias do Sul oferecem um marco crítico para repensar inovação e justiça cognitiva, enquanto as tecnologias sociais emergem como práticas coletivas que unem sustentabilidade, inclusão e valorização dos conhecimentos locais. Este ensaio discute como tais perspectivas podem fortalecer processos emancipatórios, autonomia comunitária e futuros plurais e sustentáveis na região
Fundamentação e Discussão
As Epistemologias do Sul criticam o pensamento abissal e defendem justiça cognitiva por meio da sociologia das ausências, da tradução intercultural e da ecologia de saberes (Santos, 2002; 2007; 2019). Na Amazônia, tecnologias sociais articuladas a saberes tradicionais revelam inovações situadas que fortalecem identidades, práticas comunitárias e autonomia. Ao desafiar a colonialidade do saber (Quijano, 2000), configuram-se como alternativas contra-hegemônicas e emancipatórias, capazes de propor soluções sustentáveis para crises sociais, econômicas e ambientais globais.
Conclusão
As tecnologias sociais enraizadas em saberes tradicionais mostram potencial de inovação, inclusão e resistência, promovendo sustentabilidade e justiça cognitiva. As Epistemologias do Sul permitem compreendê-las como atos epistêmicos contra o epistemicídio, reposicionando comunidades amazônicas como protagonistas. O ensaio reafirma a relevância de referenciais críticos e sugere agenda futura com tradução intercultural em políticas, documentação de experiências e fortalecimento institucional, de modo a consolidar a Amazônia como território de emancipação e futuros plurais e sustentáveis.
Referências
QUIJANO, A. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, E. (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Buenos Aires: CLACSO, 2000.
SANTOS, B. de S. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. Novos Estudos Cebrap, n. 79, p. 71-94, 2007.
SANTOS, B. de S. O fim do império cognitivo: a afirmação das epistemologias do Sul. Belo Horizonte: Autêntica, 2019.
SANTOS, B. de S.; MENESES, M. P. (org.). Epistemologias do Sul. Coimbra: Almedina, 2009.
SANTOS, B. de S. Para uma sociologia das ausências e uma sociologia das em