Introdução
A transição do ensino médio para o ensino superior representa um dos momentos mais complexos na trajetória educacional dos jovens, exigindo ajustes cognitivos, emocionais, sociais e logísticos que impactam diretamente sua permanência.
O ingresso no ensino superior constitui, para o jovem recém-egresso do ensino médio, a vivência de um conjunto de novas demandas nos âmbitos pessoal, social e acadêmico. Esse processo requer o desenvolvimento de uma postura proativa e autorregulada frente à aprendizagem e à organização da vida cotidiana.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Deste modo, as lacunas existentes no entendimento da transição e adaptação acadêmica nos semestres iniciais do ingresso na vida universitária motivaram a elaboração do problema desta pesquisa, qual seja: Como ocorre o processo de adaptação acadêmica nos semestres iniciais da graduação de egressos do ensino médio?
Assim, o objetivo geral foi investigar como ocorre o processo de adaptação acadêmica nos semestres iniciais da graduação de egressos do ensino médio.
Fundamentação Teórica
A decisão de dividir o referencial em dois eixos decorre da compreensão de que a adaptação universitária não pode ser entendida de forma isolada, mas deve ser situada dentro de um percurso que começa ainda no ensino básico, prolonga-se na escolha do curso e se materializa, nas práticas, desafios e estratégias mobilizadas pelo estudante para permanecer e progredir na graduação.
A transição do ensino médio para o ensino superior é um processo significativo e desafiador para muitos jovens. Marca uma mudança na vida acadêmica e pessoal dos estudantes, exigindo adaptações pessoal e social.
Metodologia
A investigação fundamentou-se em uma abordagem qualitativa, com delineamento descritivo-exploratório, ancorada na análise temática e na análise estatística textual com o software IRaMuTeQ. O corpus foi composto por entrevistas semiestruturadas com dezesseis estudantes matriculados no primeiro ano como acadêmicos, cujos discursos foram transcritos, organizados e processados para identificação de categorias temáticas, núcleos de sentido e redes de coocorrência lexical.
Análise e Discussão dos Resultados
Os resultados confirmam que a adaptação acadêmica é um fenômeno processual e relacional, ancorado em múltiplas dimensões: a decisão estratégica pelo curso, o ambiente humano de acolhimento, a autogestão de rotinas, a vivência cíclica de semestres e as condições materiais de deslocamento e infraestrutura. Embora as dificuldades acadêmicas e financeiras estejam presentes, destaca-se a capacidade dos estudantes de construir redes de apoio informais e ressignificar obstáculos como parte de uma trajetória de realização de sonhos individuais e familiares.
Considerações Finais
Conclui-se que permanecer na universidade não é apenas cumprir requisitos formais, mas negociar continuamente recursos internos e externos para manter-se engajado, resistindo a fatores de evasão. Recomenda-se que políticas institucionais ampliem programas de mentoria, tutoria, assistência estudantil e intervenções psicopedagógicas, de modo a fortalecer o sentimento de pertencimento e consolidar trajetórias de sucesso acadêmico.
Referências
ANDRIOLA, Wagner Bandeira; ARAÚJO, Adriana Castro. Adaptação de alunos ao ambiente universitário: estudo de caso em cursos de graduação da Universidade Federal do Ceará. Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação ., Rio de Janeiro, v.29, n.110, p. 135-159, jan./mar. 2021. BRAUN, V.; CLARKE, V. Using thematic analysis in psychology. Qualitative Research in Psychology, v. 3, n. 2, p. 77-101, 2021. REINERT, M. ALCESTE, une méthodologie d’analyse des données textuelles et une application: Aurélia de G. de Nerval. Bulletin de Méthodologie Sociologique, (28), 24-54, 1990.