Introdução
O Gerenciamento de Impressão (GI), formulado por Goffman (1959), refere-se a práticas comunicacionais usadas para moldar percepções. No campo organizacional, gestores utilizam relatórios anuais e de sustentabilidade como palcos para construir legitimidade simbólica e preservar confiança. No contexto da agenda ESG, tais documentos podem tanto reforçar transparência quanto produzir narrativas idealizadas. Assim, questiona-se em que medida o GI ambiental influencia o desempenho financeiro das empresas.
Fundamentação e Discussão
A Teoria da Legitimidade destaca a necessidade de aceitação social para a sobrevivência organizacional, enquanto a Teoria da Agência foca nos riscos da assimetria informacional entre gestores e acionistas. No campo ambiental, o gerenciamento de impressão (GI) surge como prática ambivalente: pode reduzir incertezas e reforçar a accountability, mas também distorcer percepções via narrativas seletivas e greenwashing. Evidências sugerem que o GI ambiental, quando positivo, tende a impactar favoravelmente o desempenho financeiro.
Conclusão
O ensaio demonstrou que o gerenciamento de impressão (GI) ambiental é central nas estratégias corporativas, oscilando entre transparência e manipulação. Articulando as teorias da Legitimidade e da Agência, evidencia-se que a informação divulgada é estratégica, não neutra. Estudos indicam associação positiva entre GI ambiental e desempenho financeiro, mas alertam para riscos de greenwashing. Assim, o GI deve ser visto como dimensão estratégica da governança e da atração de investimentos.
Referências
Principais referências: Goffman (1959) introduz o GI como metáfora dramatúrgica. Jensen & Meckling (1976) e Eisenhardt (1989) fundamentam a Teoria da Agência; Suchman (1995), Dowling & Pfeffer (1975) e Lindblom (1994) desenvolvem a Teoria da Legitimidade. Boiral (2013; 2016; 2019) e Diouf & Boiral (2017) destacam GI em relatórios de sustentabilidade. Merkl-Davies & Brennan (2008; 2011) estruturam o GI organizacional. Michelon, Pilonato & Ricceri (2015), Cho, Michelon & Patten (2012) e Brooks & Oikonomou (2018) analisam efeitos sobre desempenho financeiro.