Introdução
O financiamento verde ganhou relevância global ao alinhar recursos aos princípios ESG. Na Amazônia Legal, o BASA e o FNO são estratégicos, mas o crédito mostra forte concentração em áreas estruturadas, deixando vulneráveis em desvantagem. Essa seletividade reforça desigualdades históricas e limita o potencial de inclusão socioambiental.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Problema: quais fatores estruturais explicam o acesso desigual dos municípios da Amazônia Legal ao crédito verde e como se relacionam com os princípios ESG? Objetivo: criar o IFSustent para avaliar a equidade territorial do crédito do BASA e FNO, identificando condicionantes socioeconômicos, produtivos e institucionais.
Fundamentação Teórica
O financiamento verde é visto como essencial para a transição justa, mas sofre com concentração em territórios empresariais. Estudos apontam barreiras como baixa institucionalidade, fragmentação administrativa e exclusão da agricultura familiar. Índices sintéticos, como o IFSustent, surgem para mensurar desigualdades e orientar políticas públicas mais inclusivas na Amazônia.
Metodologia
A pesquisa é quantitativa, baseada em dados do BASA, IBGE, IPEA, BCB, CONFAZ, INPE e INEP. O IFSustent foi desenvolvido via Análise Fatorial Exploratória (KMO=0,829), resultando em três dimensões: Infraestrutura Socioeconômica, Dinâmica Agropecuária e Desempenho Econômico. Escores foram testados em regressão em painel, validada pelo Teste de Hausman.
Análise e Discussão dos Resultados
O crédito verde concentrou-se em municípios mais dinâmicos, como Amazonas, Pará e Rondônia. PIB e ICMS influenciaram positivamente, enquanto variáveis agropecuárias tradicionais tiveram efeito negativo. Operações com pessoas jurídicas predominaram, e a agricultura familiar permaneceu marginal. Isso revela seletividade institucional, reforçando desigualdades e criando uma “elite territorial” do crédito sustentável.
Considerações Finais
O IFSustent revelou desigualdades no acesso ao crédito verde, privilegiando municípios com maior estrutura. O estudo contribui teoricamente ao integrar fatores institucionais e produtivos. Gerencialmente, sugere instrumentos redistributivos como microcrédito, fundos de aval e parcerias locais. Limitação: ausência de recortes sociais. Futuras pesquisas devem incluir métodos mistos e indicadores participativos.
Referências
Assunção, J., Gandour, C., & Rocha, R. (2020). Credit constraints and agricultural deforestation. Journal of Environmental Economics and Management, 105, 102364. https://doi.org/10.1016/j.jeem.2020.102364
Rajão, R., Soares-Filho, B., & Merry, F. (2020). The risk of zero-deforestation commitments: forest governance and agricultural expansion in the Brazilian Amazon. World Development, 129, 104856. https://doi.org/10.1016/j.worlddev.2020.104856