Resumo

Título do Artigo

ACESSO DAS MULHERES DO SERTÃO PERNAMBUCANO AO PRONATEC: ESTUDO DE CASO EM SERRITA.
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Tema

Educação e Sustentabilidade

Autores

Nome
1 - Maria Gorete Pessoa Pinheiro Schevchenco
Centro Universitário UNIFATECIE - Polo Fortaleza Responsável pela submissão

Reumo

Introdução
O sertão pernambucano apresenta profundas desigualdades sociais e de gênero, mulheres, em especial mães solo e cuidadoras, enfrentam sobrecarga de trabalho, precarização e exclusão de oportunidades. Nesse cenário, o PRONATEC Mulheres Mil surge como política pública estratégica, articulando capacitação profissional e inclusão social. O curso de salgadeira realizado em Serrita, em 2025, com 30 vagas ofertadas, é tomado como estudo de caso para compreender como a formação técnica pode promover empoderamento feminino, geração de renda, fortalecimento de vínculos comunitários.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Em que medida o PRONATEC Mulheres Mil, ao ofertar o curso de salgadeira em Serrita/PE, contribui para o empoderamento feminino, a geração de renda e a sustentabilidade social, considerando as especificidades das mulheres sertanejas em situação de vulnerabilidade? Objetivo, analisar os impactos sociais e econômicos do curso de salgadeira ofertado pelo PRONATEC Mulheres Mil em Serrita/PE, identificando seus efeitos no empoderamento feminino, na valorização de saberes prévios e no fortalecimento de vínculos comunitários, em diálogo com referenciais críticos sobre educação e desenvolvimento.
Fundamentação Teórica
A pesquisa apoia-se na pedagogia libertadora de Paulo Freire (1996), que defende a valorização da experiência vivida e a consciência crítica; em Nita Freire (2018), sobre educação como prática afetiva e coletiva; e na teoria das capacidades de Amartya Sen (2000), que concebe o desenvolvimento como ampliação de escolhas reais. Dialoga ainda com Santos (2007; 2010), ao propor uma ecologia de saberes, Carvalho Rodrigues (2008; 2011; 2016), com o método experiencial, e Hooks (2019), ao enfatizar a educação como prática de resistência e liberdade.
Metodologia
Trata-se de um estudo de caso qualitativo, com inspiração etnográfica e experiencial. A coleta de dados ocorreu ao longo de 45 dias, incluindo 05 entrevistas semiestruturadas com alunas do curso de salgadeira e observação participante em atividades coletivas, como a produção da colcha de retalhos. A análise seguiu a técnica de conteúdo temática (Bardin, 2011), apoiada em Santos (2007; 2010) e Carvalho Rodrigues (2008; 2011; 2016), visando captar empoderamento, valorização de saberes e redes de apoio.
Análise e Discussão dos Resultados
A análise de cinco entrevistas revelou impactos significativos na vida das participantes. As mulheres relataram aumento da autoestima, valorização de saberes prévios, como a produção de bolos e salgados, além da criação de redes de apoio e solidariedade. A atividade da colcha de retalhos estimulou cooperação, respeito às diferenças e partilha de experiências. Uma das alunas destacou a importância do curso para sustentar o filho que estuda na capital. Os dados reforçam que o PRONATEC ampliou capacidades e promoveu empoderamento, mesmo em contexto de vulnerabilidade.
Considerações Finais
O estudo evidenciou que o PRONATEC Mulheres Mil, ao ofertar o curso de salgadeira em Serrita, possibilitou às participantes não apenas qualificação profissional, mas também fortalecimento da autoestima, reconhecimento de saberes tradicionais e criação de laços comunitários. Apesar dos limites estruturais, a experiência mostrou que a educação, quando aliada ao diálogo e à partilha, pode ser um instrumento de emancipação e sustentabilidade social. Reforça-se, contudo, a necessidade de políticas públicas integradas e contínuas para ampliar seus efeitos.
Referências
BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2011. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1996. FREIRE, N. Escritos e reflexões. São Paulo: Paz e Terra, 2018. SEN, A. Desenvolvimento como liberdade. São Paulo: Cia. das Letras, 2000. SANTOS, B. S. Conhecimento prudente. São Paulo: Cortez, 2007. RODRIGUES, L. C. Método experiencial. Recife: UFPE, 2008. HOOKS, B. Ensinando a transgredir. São Paulo: Martins Fontes, 2019. IBGE. Censo Demográfico 2022. Rio de Janeiro: IBGE, 2022.