Introdução
O estresse no trabalho tem se tornado um problema cada vez mais comum. De acordo com Oliveira (2020) a falta de qualidade de vida no trabalho acarreta estresse e pode afetar a produtividade e a qualidade do trabalho. A Organização Mundial da Saúde (OMS, 2024) afirma que pessoas com problemas psicológicos morrem de 10 a 20 anos mais cedo, e observa que a depressão e a ansiedade subiram mais de 25% em 2020. As cooperativas possuem princípios pautados no aspecto social e precisam manter o equilíbrio entre os objetivos econômicos, sociais e o desenvolvimento das comunidades que atuam (OCB, 2024).
Problema de Pesquisa e Objetivo
Mesmo com a evolução dos estudos sobre qualidade de vida no trabalho, ainda existem dificuldades de encontrar o equilíbrio. Nas organizações atuais, o estresse é um problema crescente que pode afetar a produtividade, a moral e o bem-estar dos colaboradores. A ampliação do estresse representa uma ameaça para a saúde das pessoas e das organizações cooperativas. Questiona-se qual o nível de estresse ocupacional percebido pelos colaboradores das cooperativas? O objetivo do trabalho é identificar o nível de estresse ocupacional na percepção dos colaboradores de cooperativas em Santa Maria-RS.
Fundamentação Teórica
Os fatores que influenciam a saúde mental são diversos e interconectados. Compreendem fatores pessoais, estruturais e fatores relativos ao trabalho (SILVA, 2019). Os fatores estruturais envolvem aspectos amplos, como políticas públicas, acesso a cuidados de saúde, condições econômicas e ambientais (WHO, 2022). A literatura aponta os efeitos negativos do estresse, para a saúde e bem-estar individual, e para a efetividade organizacional (PASCHOAL e TAMAYO, 2004). Loturco (2020) afirma que o capital humano é o principal valor em uma cooperativa e não pode ser negligenciado (BEZERRA et al., 2019).
Metodologia
Pesquisa quantitativa e descritiva, utilizando um questionário baseado na Escala de Estresse no Trabalho(EET) de Paschoal e Tamayo(2004), 21 variáveis - agrupadas em 5 fatores. A população: colaboradores de cooperativas, em Santa Maria, de diferentes ramos de atuação. Foram 49 respondentes, selecionados por conveniência(medida de adequação da amostra de Kaiser-Meyer-Olkim(KMO)=0,839-ótimo). Questionário disponibilizado eletronicamente, em novembro de 2024. Na análise de dados utilizou-se estatística descritiva e foi realizada a validação da escala em cooperativas-análise fatorial exploratória
Análise e Discussão dos Resultados
Os respondentes foram, na maioria, de cooperativas dos ramos financeiro e agropecuário, se declaram mulheres (57,1%), enquanto homens foram 40,9%. Quanto aos fatores estressores destacam-se: relacionamento com o chefe (discriminação ou favorecimento no ambiente de trabalho - média 2,43); autonomia e controle (deficiência na comunicação organizacional - média 2,43, perspectivas de crescimento - média 2,39, forma de organização das tarefas - média 2,35); o trabalho em si (sobrecarga de trabalho - média 2,35); e papéis e ambiente de trabalho (baixa valorização pelos superiores - média 2,37).
Considerações Finais
A análise dos dados permitiu avaliar o nível de estresse ocupacional percebido pelos pesquisados, além de identificar os fatores considerados como principais estressores. Os resultados indicaram que o nível de estresse ocupacional está dentro dos limites aceitáveis, com médias abaixo do limite crítico de 2,5 definido por Paschoal e Tamayo (2004). Mas há sinais de tensão em fatores específicos que precisam ser monitorados e tratados, como a distribuição de tarefas, a gestão do tempo e a comunicação organizacional.
Referências
PASCHOAL, T; TAMAYO, A. Validação. da Escala de Estresse no Trabalho. Estudos de Psicologia, v. 9, n. 1, jan.-abr., 2004, p. 45-52. Universidade Federal do Rio Grande do Norte Natal, Brasil. Disponível em: https://redalyc.org/articulo.oa?id=26190106 . Acesso 27 Nov 2024. OMS (Organização Mundial da Saúde). Relatório mundial da saúde mental: Transformando a saúde mental para todos. Disponível em:https://www.who.int/teams/mental-health-and-substance-use/world-mental-health-report. Acesso 01 abr. 2024. SILVA, A. B.B. Mentes ansiosas: medo e ansiedade além dos limites. Rio de Janeiro:Sextante,2019