Introdução
A abordagem ESG (acrônimo de Environmental. Social and Governance) se apresenta como uma alternativa para a implantação de políticas e práticas voltadas à sustentabilidade nas empresas. Há críticas a esta abordagem, tais como ser uma distração em relação à essência dos negócios, ser muito difícil de implantar, não mensurável na prática, ser muito complexa e cara para pequenas e medias empresas. Este ensaio apresenta uma proposta para abrir as portas do ESG para um número maior de organizações, por meio da abordagem setorial e da inversão da lógica da análise de materialidade.
Fundamentação e Discussão
São apresentadas a origem, controvérsias e barreiras à abordagem ESG. Destacam-se modelos e normas existentes, cada um com sua forma de avaliar a materialidade dos temas, de seleção de indicadores recomendados ou obrigatórios e, eventualmente, manuais setoriais específicos. É apresentada uma proposta em que os temas materiais possam ser tratados, inicialmente, por meio da materialidade setorial, dispensando uma análise mais detalhada logo no início. A organização vai progressivamente aprofundando a análise, atingindo níveis mais complexos e maior engajamento de acordo com sua maturidade.
Conclusão
Ampliar a adesão de empresas às práticas que compõem a estrutura ESG pode ser um passo importante, se não essencial, para uma sociedade mais justa e sustentável. A proposta de inversão da lógica da materialidade do funil para o funil invertido, com requisitos setoriais mínimos para empresas principiantes, É uma alternativa pragmática para viabilizar a abordagem para pequenas e médias empresas, e mesmo de grandes empresas resistentes, sem abrir mão ad ambição e dos impactos pretendidos. O diálogo intrasetorial e multisetorial pode facilitar o processo.
Referências
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