Resumo

Título do Artigo

EXPANSÃO TERRITORIAL E ESTRUTURA POPULACIONAL DA PRODUÇÃO CACAUEIRA NA REGIÃO NORTE
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Tema

Estudos da Amazônia

Autores

Nome
1 - Mileni Cassimiro
Fundação Universidade Federal de Rondônia - UNIR - Universidade Federal de Rondônia Campus Cacoal Responsável pela submissão
2 - Paula Cristina da Silva Miranda
Fundação Universidade Federal de Rondônia - UNIR - Campus Cacoal
3 - Charles Carminati de Lima
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4 - Cleberson Eller Loose
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5 - SUZENIR AGUIAR DA SILVA
Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR) - Campus Cacoal

Reumo

Introdução
A agricultura familiar é uma das principais bases da produção agrícola no Brasil, sendo essencial para a segurança alimentar, a geração de renda e a sustentabilidade no meio rural. Na região Norte, esse modelo produtivo ganha destaque por sua forte presença na cultura do cacau (Theobroma cacao L.), especificamente nos estados de Rondônia e Pará. Nessas localidades, pequenos produtores rurais e comunidades tradicionais cultivam o cacau de forma sustentável, desempenhando um papel de grande relevância econômica, social e ambiental.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Considerando que a Região Norte do Brasil é referência na quantidade produzida do cacau em amêndoas (IBGE, 2024). Surgiu então a questão: como a estrutura populacional entre os meios urbanos e rural da Região Norte podem impactar na concentração produtiva do cacau em amêndoas? Nesse contexto, o presente estudo propôs-se a mapear a concentração de produção do cacau em amêndoas nos municípios que integram a Região Norte do Brasil. Os objetivos foram: analisar a distribuição da população urbana e rural, identificar a produção e a área de cultivo do cacau e levantar dados de exportação da amêndoa.
Fundamentação Teórica
O cacau, nativo da Amazônia e cultivado no Brasil desde o século XVII, possui grande relevância econômica e social. Avanços tecnológicos, como melhoramento genético e clonagem, aumentaram a eficiência e a rentabilidade, revitalizando a cultura e gerando mais empregos no campo. Nesse contexto, a agricultura familiar se destaca como um vetor estratégico. Sua ampla presença na região promove transformações socioambientais positivas, assegurando a conservação da biodiversidade, a preservação de recursos naturais e a alta qualidade do produto final. (SANTELLI, 2023; SOARES; SILVESTRE, 2022).
Metodologia
Este estudo exploratório descritivo sobre a expansão do cacau na Região Norte (2019-2023) utilizou uma abordagem mista qualitativa. A metodologia combinou pesquisa bibliográfica com dados secundários de fontes oficiais como IBGE e COMEX STAT. A interpretação dos dados empregou a Análise de Conteúdo (Bardin, 1994), orientada por eixos temáticos. A análise mista qualitativa buscou padrões nos dados, que foram sistematizados e apresentados visualmente por meio de gráficos (Excel) e mapas (QGIS) para facilitar a compreensão dos resultados.
Análise e Discussão dos Resultados
A Região Norte lidera a produção de cacau no Brasil com mais de 50% de toda produção, apesar do desafio do êxodo rural. A produção e a exportação são extremamente concentradas no Pará, que gera 95% do volume regional e abriga os maiores municípios produtores do país (Medicilândia, Uruará e Placas). A produtividade da região é notável, superando o Nordeste com uma área 2,5 vezes menor. Essa dependência de poucos municípios, somada à redução da população rural, evidencia a vulnerabilidade e a importância de políticas de permanência do agricultor no campo para a cacauicultura.
Considerações Finais
Como resultado da análise, verificou-se que 309 dos 450 municípios da Região Norte não registraram qualquer produção do cacau em amêndoas no período considerado. A liderança é do Pará, com Medicilândia, Uruará e Placas sendo os maiores produtores do Brasil. Apesar da aptidão da região, a crescente urbanização ameaça às atividades agrícolas desenvolvidas por agricultores familiares. Conclui-se que são essenciais políticas públicas integradas para fortalecer o produtor familiar, como assistência técnica e crédito rural, garantindo o desenvolvimento sustentável e evitar o êxodo rural.
Referências
BARDIN, I. Análise de conteúdo. 1ª ed. Lisboa, Edições Setenta, 1994. IBGE. Produto das lavouras temporárias e permanentes - Cacau (em amêndoas) e Produto das lavouras temporárias - permanentes e Área plantada ou destinada a colheita do cacau (em amêndoas) 2024. Disponível em: https://t.ly/u_IQp. Acesso em: 06 jun. 2025. SANTINELLI, A. A história do cacau na Amazônia da chegada ao Brasil à alternativa para a bioeconomia local. Infoamazonia. 2023. Disponível em: t.ly/V6xS4. Acesso em: 22 jun. 2025.