Introdução
O Rio Grande do Sul enfrenta impactos crescentes de desastres naturais e mudanças climáticas, afetando agricultura, infraestrutura e energia (Suarez, Bello e Campbell, 2024). A governança regional, estruturada pelos COREDEs e seus PEDs, orienta políticas públicas locais e alinha recursos federais e estaduais às demandas territoriais (Governo do RS, 2025). A governança climática eficaz requer integração de diferentes escalas políticas e processos decisórios inclusivos, transparentes e equitativos (IPCC, 2023; Keskitalo et al., 2016).
Problema de Pesquisa e Objetivo
Apesar da relevância desses planos como instrumentos de coordenação e planejamento, ainda é limitado o conhecimento sobre a forma como variáveis climáticas e ambientais têm sido incorporadas. Assim, o presente estudo objetivou-se em analisar os Planos Estratégicos de Desenvolvimento (PEDs) elaborados pelos COREDEs do Rio Grande do Sul, com foco na identificação de como questões climáticas e ambientais são incorporadas.
Fundamentação Teórica
A governança regional é essencial para traduzir planejamento em ações concretas, coordenando municípios e integrando políticas locais e estaduais (Coutinho et al., 2021). Ela promove decisões inclusivas, transparentes e equitativas, fortalece a implementação de estratégias de mitigação e adaptação às mudanças climáticas e garante que planos estratégicos, como os PEDs dos COREDEs, no caso do Rio Grande do Sul, resultem em impactos efetivos, aumentando a resiliência social, ambiental e econômica dos territórios.
Metodologia
A pesquisa utilizou a análise documental, definida por Godoy (1995) como processo investigativo que permite interpretar e codificar informações presentes nos documentos. Os dados foram obtidos nos Planos Estratégicos de Desenvolvimento (PEDs) dos COREDEs, que apresentam diagnósticos e propostas locais. Os resultados foram organizados conforme as nove Regiões Funcionais (RFs) do RS, que agrupam os 28 COREDEs segundo critérios socioeconômicos e dinâmicas territoriais, subsidiando a análise regional.
Análise e Discussão dos Resultados
A análise evidencia que todos os COREDEs do RS reconhecem as mudanças climáticas, mas a abordagem varia. Algumas regiões tratam o tema de forma direta, vinculando-o a eventos extremos e projetos de mitigação (Vale do Taquari, Serra, Vale do Jaguari), enquanto outras o abordam de forma genérica, por meio de educação ambiental ou conservação hídrica (Paranhana, Alto Jacuí, Noroeste Colonial). É necessário fortalecer os PEDs com ações concretas, governança integrada, monitoramento contínuo e coordenação com políticas estaduais para garantir impactos efetivos.
Considerações Finais
Embora todos os COREDEs do RS reconheçam a importância das mudanças climáticas, há desafios em transformar planejamento em ações efetivas. É essencial fortalecer os PEDs, garantindo integração regional, alinhamento com políticas estaduais e mecanismos de monitoramento. A coordenação estruturada permite reduzir impactos climáticos, aumentar a resiliência ambiental e social e reforça os COREDEs como arenas estratégicas para integrar variáveis climáticas ao planejamento territorial e aprimorar políticas públicas.
Referências
INTERGOVERNMENTAL PANEL ON CLIMATE CHANGE (IPCC). Climate Change 2023: Synthesis Report. Contribution of Working Groups I, II and III to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Geneva, 2023. Disponível em: https://www.ipcc.ch/report/ar6/syr/. Acesso em: 23 ago, 2025.
RIO GRANDE DO SUL. Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SEPLAG). Regiões Funcionais de Planejamento e COREDEs. Elaboração: SEPLAG/DEPLAN, jun. 2020. Disponível em: https://atlassocioeconomico.rs.gov.br/regioes-funcionais-de-planejamento/. Acesso em: 23 Ago, 2025.