Resumo

Título do Artigo

GESTÃO DE RISCOS SOCIOAMBIENTAIS: UMA ANÁLISE DE GOVERNANÇA E TRANSPARÊNCIA NA BRASKEM APÓS A EXTRAÇÃO DE SAL-GEMA EM MACEIÓ
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Tema

Governança e Sustentabilidade em Organizações

Autores

Nome
1 - Nicoli Ferreira Cavallim
-
2 - Filipe da Silva Santos
Universidade Estadual de Maringá - Campus Regional de Cianorte Responsável pela submissão
3 - Juliane Campoe Correa
Universidade Estadual de Maringá - Universidade Estadual de Maringá

Reumo

Introdução
A preocupação com a sustentabilidade tem ganhado cada vez mais destaque internacional (RIBEIRO, 2017). De um lado, existe a busca por lucros empresariais crescentes e de outro, observa-se um aumento na demanda por processos corporativos menos impactantes. Nesse contexto, os problemas socioambientais emergentes estão levando as organizações a adotarem uma "postura mais cuidadosa". Essa preocupação pode ser resultado do desenvolvimento de uma legislação ambiental e da crescente exigência do mercado e da sociedade por uma atividade empresarial menos agressiva ao meio ambiente.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Percebe-se nos últimos anos, diversos desastres de cunho socioambiental no Brasil decorrentes de atividade empresariais. Exemplo disso, é o ramo da mineração, o qual vieram à tona no Brasil, com os rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho, da companhia Vale S.A, a discussão sobre o caráter cancerígeno do amianto explorado pela Eternit, e o acidente geológico, resultante da exploração de sal-gema pela Braskem, cujo fato será objeto de análise deste estudo. O objetivo geral desse estudo consiste em analisar a política de riscos empresariais da companhia Braskem, antes e após o caso.
Fundamentação Teórica
A fundamentação teórica do estudo em questão está subdividida em três tópicos: (I) Contabilidade e a sustentabilidade empresarial (HENDRIKSEN e VAN BREDA, 2021; VELTER e MISSAGIA, 2011; IUDÍCIBUS, 2021; RIBEIRO, 2017); (ii) Relatórios de Sustentabilidade e Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) (INSTITUTO ETHOS, 2012; CPC 09, 2008; IUDÍCIBUS et. al., 2022; B3, 2023); e (III) Setor Petroquímico e seus impactos ambientais (ABIQUIM, 2022; SCHULTZ; BENINCÁ, 2016; UNEP, 2018; TELES, 2020).
Metodologia
Do ponto de vista de classificação metodológica, essa pesquisa quanto ao seu objetivo se enquadra como descritivo (Marconi e Lakatos, 2023), de abordagem qualitativa (Creswell, 2014), utilizando de pesquisa bibliográfica (Gil, 2021), cujas análises dos dados serão elaboradas por intermédio da técnica de Análise de Conteúdo de Bardin (2016). Essa técnica auxilia o pesquisador na descrição do conteúdo coletado, e a análise será conduzida em três etapas distintas: (1) pré-análise, que envolve a coleta de dados; (2) exploração minuciosa do material; e (3) apresentação dos resultados.
Análise e Discussão dos Resultados
Os principais achados da pesquisa evidenciaram que a empresa possui fragilidade dos mecanismos de governança e transparência, mostrando que a empresa não priorizou a comunicação de riscos a seus stakeholders antes da tragédia e utilizou os relatórios subsequentes principalmente para recuperar sua imagem, ao invés de promover uma gestão efetiva de riscos socioambientais. A análise dos formulários de referência e dos relatos integrados evidenciou uma omissão nos relatórios da empresa antes do desastre, especificamente aos riscos socioambientais relacionados à extração de sal-gema.
Considerações Finais
A pesquisa evidenciou a fragilidade dos mecanismos de governança e transparência, mostrando que a empresa não priorizou a comunicação de riscos a seus stakeholders antes da tragédia e utilizou os relatórios subsequentes principalmente para recuperar sua imagem, ao invés de promover uma gestão efetiva de riscos socioambientais. Essa postura pode ser interpretada como uma resposta reativa à crise, onde a empresa só reconheceu publicamente o problema após os danos já estarem amplamente visíveis e causarem grandes prejuízos à comunidade e à imagem da companhia.
Referências
RIBEIRO, M.S. Contabilidade ambiental. São Paulo: Saraiva, 2012; ANTONOVZ, T. Contabilidade Ambiental. Curitiba: InterSaberes, 2014; REIS, Helio Arthur Irigaray, STOCKER, Fabricio. ESG: novo conceito para velhos problemas, 2022. Cadernos EBAPE.BR, 20(4), 1–4. https://doi.org/10.1590/1679-395186096; BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2016. Brasil, Bolsa e Balcão. Exclusão Braskem ISE. B3, 2023. Disponível em: https://www.b3.com.br/pt_br/noticias/b3-exclui-braskem-do-indice-de-sustentabilidade-empresarial.htm. Acesso em: agosto de 2024.