Introdução
A Agenda 2030 da ONU impulsiona ações globais para sustentabilidade, contexto em que surgem moedas sociais, usadas em diversos países para fins sociais e ambientais. No Brasil, destaca-se a Moeda Verde, que incentiva reciclagem, fortalece a economia local e promove educação ambiental. Este artigo analisa o caso de Igarapé-Açu (PA), iniciado em 2018, investigando seu funcionamento e impactos na sustentabilidade local a partir de dados secundários.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O problema de pesquisa é compreender como a Moeda Verde tem sido criada e implementada, e quais impactos gera na economia e no meio ambiente. O objetivo é investigar o caso de Igarapé-Açu (PA), analisando dados secundários para entender seu funcionamento, manifestação no município e contribuição para a sustentabilidade local.
Fundamentação Teórica
- Moeda Social: Rice (2014) define as moedas comunitárias como práticas de troca de bens e serviços que utilizam meios de pagamento distintos da moeda de curso legal. Segundo Diniz et al. (2023) as moedas sociais são formas alternativas de dinheiro, geralmente emitidas e administradas por cidadãos, organizações não governamentais (ONGs), empresas ou administrações públicas locais. Influencia positivamente o funcionamento da economia local e dos agentes econômicos que pertencem ao sistema e promovendo o desenvolvimento local sustentável (Stepnicka, 2023).
Metodologia
O estudo qualitativo analisa a Moeda Verde em Igarapé-Açu (PA) por meio de estudo de caso, utilizando dados secundários de reportagens, documentos oficiais, entrevistas publicadas e materiais de parceiros como o Sebrae. A triangulação dessas fontes permite compreender o funcionamento da moeda, a adesão de empreendedores e os impactos socioeconômicos e ambientais, oferecendo uma visão detalhada do contexto local e da contribuição da iniciativa para a sustentabilidade.
Análise e Discussão dos Resultados
Evidencia que a Moeda Verde em Igarapé-Açu surgiu como resposta à crise ambiental local, transformando resíduos em moeda social e promovendo educação ambiental e economia solidária. O projeto mobilizou a comunidade, estabeleceu equivalências para diferentes materiais recicláveis e integrou mais de 52 comerciantes locais, fechando um ciclo econômico sustentável. Desde 2018, resultou na coleta de centenas de toneladas de resíduos, geração de empregos, economia pública e expansão para outros municípios, demonstrando seu impacto socioambiental e potencial replicável.
Considerações Finais
Observa-se que a Moeda Verde se destaca no contexto da sustentabilidade na cidade de Igarapé-Açu. Com relação à sustentabilidade, avalia-se que há uma correlação evidente, uma vez que o ciclo de separação do material reciclável, troca pela moeda e uso no comércio local configura um ciclo sustentável. Como sugestão para estudos futuros, propõe-se realizar comparações entre moedas verdes de outras cidades e estados, a fim de identificar semelhanças e diferenças em termos de implementação e escala.
Referências
RICE, J. M. Exchange and the production of social life: Toward a theoretical understanding of social currencies. Sociological Inquiry, [S.l.], v. 84, n. 2, p. 235–259, 2014.
ST?PNICKA, N.; SADOWSKA, B.; WALASEK, R.; ZIMON, G.; BRZOZOWIEC, D. Sustainable local development in relation to complementary currencies on the example of the Polish currency Zielony. Technological and Economic Development of Economy, v. 29, n. 2, p. 618–652, 2023.
DINIZ, E. H. et al. Moedas sociais e inclusão financeira: desafios para o desenvolvimento sustentável. Revista de Administração Pública, Rio de Janeiro, v. 5