Introdução
Educar para a sustentabilidade envolve questionar padrões de consumo e incorporar tecnologias que reduzam impactos ambientais. Os e-books, vistos como alternativa ao papel, unem inovação e consciência ecológica, mas sua aceitação ainda encontra barreiras. A pesquisa busca compreender como gerações distintas Baby Boomers, mais ligados ao impresso, e Alpha, familiarizada com a tecnologia, percebem os e-books em relação à sustentabilidade. A comparação amplia o debate iniciado com a Geração Z, evidenciando como fatores emocionais, tecnológicos e práticos moldam a leitura no presente e no futuro.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Apesar de reconhecerem a importância da sustentabilidade, muitos leitores resistem à adoção dos e-books. A questão central é: os Baby Boomers e a Geração Alpha percebem os livros digitais como sustentáveis? O objetivo é analisar suas percepções, identificando barreiras, como fadiga visual e apego ao físico, e facilitadores, como acessibilidade e conveniência. Pretende-se compreender em que medida o discurso ambiental influencia suas escolhas e como as diferenças geracionais impactam a adoção do formato digital.
Fundamentação Teórica
Os e-books reduzem o uso de papel e emissões de CO2 (Cassaro; Rezende, 2017), surgindo como alternativa à indústria de celulose, poluente e geradora de resíduos (Silva, 2020). Contudo, barreiras como apego emocional ao impresso (Thomson et al., 2005), fadiga ocular (Kim & Kim, 2017) e complexidade percebida (Ram, 1987) dificultam a adoção. Entre os facilitadores destacam-se acessibilidade, ajuste de fonte e conveniência (Morineau et al., 2004). Baby Boomers, mais ligados ao impresso (Severo et al., 2019), e a Geração Alpha, nativa digital (Furtado, 2019), apresentam percepções contrastantes.
Metodologia
A pesquisa é exploratória, com amostra de 20 participantes: dez crianças da Geração Alpha (7 a 11 anos) e dez Baby Boomers (60 a 84 anos), sendo nove mulheres e um homem em cada grupo. As entrevistas ocorreram presencialmente tanto com crianças da BM Escola do Vôlei quanto com os idosos do Creati. A seleção foi não probabilística por conveniência. A análise pautou-se em referenciais sobre barreiras e facilitadores já apontados em pesquisas com a Geração Z, possibilitando uma comparação entre três gerações distintas quanto ao uso de e-books.
Análise e Discussão dos Resultados
As crianças preferem livros físicos pelo vínculo afetivo e maior concentração, relatando cansaço em telas, enquanto os idosos destacam dificuldades tecnológicas e fadiga visual. Contudo, parte dos Baby Boomers valorizam recursos de acessibilidade, como ajuste de fonte e praticidade do digital. Ambos os grupos demonstram consciência ambiental, mas nem sempre associam e-books à sustentabilidade. O estudo mostra que fatores emocionais e práticos superam o discurso ecológico, confirmando resultados prévios com a Geração Z sobre a baixa adesão ao digital.
Considerações Finais
O estudo revela que a sustentabilidade, embora valorizada, não é o fator decisivo para adoção dos e-books. Entre crianças, o apego ao físico prevalece. Já entre os idosos, barreiras tecnológicas limitam a aceitação. Entretanto, quando percebem benefícios concretos, como conveniência ou acessibilidade, os Boomers tendem a aderir. A Geração Alpha, mesmo digitalizada, mantém laços afetivos com o impresso. Comparando-se às percepções da Geração Z, observa-se que a adoção de e-books exige superar barreiras emocionais e funcionais, indo além do argumento ambiental.
Referências
ALENCASTRO, Y. O. et al. Boas práticas de projeto para a criação de livros mais sustentáveis. UFRGS, 2018.
CASSARO, J. C. S.; REZENDE, E. J. C. Livro impresso e digital: impactos ambientais. RMS, 2017.
FURTADO, C. C. Aveiro, 2019.
JONGBUM, K.; JEONGHUN, J. Display and Imaging, 2017.
MORINEAU, T. et al. Int. J. Human-Computer Studies, 2004.
RAM, S. Adv. in Consumer Research, 1987.
SEVERO, E. A. et al. Rev. Eletr. Estratégia & Negócios, 2019.
SILVA, G. A. Sustentabilidade na indústria de papel e celulose. 2020.
THOMSON, M. et al. J. Consumer Psychology, 2005.