Introdução
A gestão de resíduos sólidos configura-se como desafio crescente, agravado pelo elevado volume de rejeitos e pela destinação inadequada. O Brasil ocupa a 4° posição mundial na geração de plásticos, com 11,3 milhões de toneladas anuais, das quais apenas 1,28% é reciclado. Nesse contexto, cooperativas exercem papel estratégico ao contribuir para a alteração de padrões de descarte e mitigação dos impactos ambientais. À luz dessas diretrizes destaca-se a atuação da Itaipu que formaliza parcerias por meio de Acordo de Cooperação, assegurando a coleta e destinação adequada de seus resíduos.
Problema de Pesquisa e Objetivo
A efetividade da gestão de resíduos vai além da existência de normas, exigindo práticas monitoradas e contínuas. Na Itaipu, embora acordos de cooperação e editais detalhem fluxos e obrigações, a execução cotidiana sofre interferências, como limitações estruturais, ajustes informais e variações no volume de resíduos. Diante disso, o estudo busca analisar a Rotina Organizacional de Gestão Sustentável de Resíduos Recicláveis, identificando os desvios entre os aspectos ostensivo e performativo.
Fundamentação Teórica
As rotinas organizacionais configuram padrões dinâmicos de ações interdependentes que conciliam estabilidade e mudança por meio de três elementos: aspecto ostensivo, performativo e artefatos. As variações nas performances, ainda que percebidas como desvios, podem impulsionar transformações. Nesse processo, destacam-se mudanças endógenas, resultantes da agência dos atores, e mudanças exógenas, provocadas por fatores externos como inovações tecnológicas ou alterações regulatórias.
Metodologia
A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza exploratório-descritiva, em formato de estudo de caso, centrado na parceria entre a Itaipu Binacional e a COOAFI, formalizada por edital e Acordo de Cooperação. As evidências foram obtidas por levantamento documental, observação direta e entrevistas semiestruturadas. O material analisado incluiu legislações, editais, acordos e registros administrativos, complementados pelo acompanhamento in loco das atividades e pela análise de conteúdo.
Análise e Discussão dos Resultados
As análises revelaram desvios em todas as fases da rotina, como acionamentos emergenciais por acúmulo de resíduos, sobrecarga em períodos sazonais, enfardamento conjunto de plásticos, falhas em equipamentos e veículos, além de atrasos por guias e autorizações. Esses elementos evidenciam a distância entre o prescrito e o executado, confirmando o caráter dinâmico das rotinas, nas quais normas, práticas e artefatos se articulam para assegurar continuidade do processo mediante ajustes ao contexto.
Considerações Finais
O estudo mostrou que, apesar de existir um arcabouço normativo estruturado, a execução da rotina é permeada por variações e adaptações que asseguram sua continuidade. A aplicação da teoria das rotinas organizacionais evidenciou mecanismos de aprendizado e adaptação, oferecendo subsídios para aprimorar processos internos por meio da gestão de artefatos, padronização de equipes e formalização contratual. Além disso, destacou contribuições à sustentabilidade, ampliando a eficiência, a economia circular e os ganhos ambientais e sociais.
Referências
BOLSON, C. R. et al. A organização territorial da cadeia de valor dos resíduos plásticos. 2022.
BOTELHO, R. P. A inclusão sócio produtiva das cooperativas. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE GESTÃO AMBIENTAL, 7., 2024. Anais […]. Maringá: IBEAS, 2024.
FELDMAN, M. S.; PENTLAND, B. T. Reconceptualizing organizational routines. ASQ, v. 48, n. 1, 2003.
MUSSI, F. B. et al. Cooperation and environmental education. CONRESOL, 2025.
YIN, R. K. Estudo de caso: planejamento e métodos. Porto Alegre: Bookman, 2015.