Introdução
O Estado do Ceará vem liderando o ranking nacional em produção pesqueira desde 2023 (Ximenes; Vidal, 2023). Apesar do potencial de competitividade do Ceará essa realidade pode ser prejudicada por uma série de ameaças, como aquecimento global (Oliveira et al., 2024), desafios da transição energética (Xavier; Gorayeb; Brannstrom, 2020), a crise de gerações de filhos de pescadores não se identificarem com o trabalho dos pais (Costa et al. 2022).
Problema de Pesquisa e Objetivo
Nessa perspectiva, esses fatores podem comprometer a competividade local e internacional do Ceará em exportação de pescado. Diante do exposto, este artigo pretende responder o seguinte problema: Como fortalecer a competitividade do Setor pesqueiro do Estado do Ceará mediante às potenciais ameaças do ambiente local e internacional? Com isso, o objetivo da pesquisa consiste em investigar como o Estado do Ceará pode fortalecer a competitividade do setor pesqueiro considerando as potenciais ameaças dos ambientes local e internacional.
Fundamentação Teórica
A competitividade internacional depende da capacidade de inovação e exportação de valor (Porter, 1999; Coelho et al., 2023). No Ceará, o setor pesqueiro, um potencial vetor competitivo (Buckley et al., 1988), enfrenta ameaças à sua sustentabilidade: pesca predatória e eólicas offshore (Xavier; Gorayeb; Brannstrom, 2020), desinteresse dos jovens (Costa et al., 2022), mudanças climáticas (Oliveira et al., 2024), poluição dos oceanos (Brabo et al., 2024) e políticas públicas deficitárias (Vidigal et al., 2021).
Metodologia
Este estudo quali-quantitativo e exploratório combina dados secundários de comércio de pescados da base ComexStat (CUCI 03), coletados em junho de 2024, com entrevistas semiestruturadas com 5 especialistas da pesca cearense, realizadas em fevereiro de 2025. Os dados das entrevistas, coletados com consentimento ético, foram submetidos à análise de conteúdo para identificar as categorias e subcategorias apresentadas nos resultados.
Análise e Discussão dos Resultados
Por um lado, o Ceará lidera a exportação de pescado, com especialistas confirmando um posicionamento estratégico e diversificado, alinhado às teorias de competitividade de Porter (1999). Por outro, graves ameaças comprometem esse potencial, incluindo as mudanças climáticas, a poluição e a pesca predatória. Adicionalmente, a confirmada falta de interesse das novas gerações (Costa et al., 2022) impõe a necessidade de um reposicionamento estratégico para garantir a sustentabilidade do setor.
Considerações Finais
A pesquisa conclui que a competitividade do setor pesqueiro cearense exige uma articulação entre modernização, infraestrutura, inovação e sustentabilidade. O estudo contribui para a formulação de políticas públicas que atraiam jovens, protejam a biodiversidade marinha e adotem tecnologias para garantir as exportações. Embora não esgote o tema, o trabalho estimula reflexões sobre o setor e recomenda futuros estudos para aprofundar a análise das potenciais ameaças locais e internacionais.
Referências
BRABO, L. et al. A transcontinental threat: Plastic waste from Africa invades Brazil's coast. Science of the Total Environment, v. 954, p. 176599, 2024.
COELHO, L. M. et al. International competitiveness of exports of forest products. Ciência Rural, v. 53, n. 9, p. e20220137, 2023.
COSTA, G. M. et al. Evidenciando uma arte antiga da praia do Mucuripe: a contribuição da cadeia produtiva da pesca artesanal para o desenvolvimento sustentável. In: ENCONTRO DA ANPAD, 46., 2022, on-line. Anais [...]. Maringá: Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração, 2022b, p. 1-26.