Introdução
A crescente necessidade de prevenir ou mitigar consequências das mudanças climáticas inseriu a sustentabilidade na agenda ambiental global como um movimento social importante neste século. Para Nobre, Reid e Veiga (2012), buscar o desenvolvimento sem exploração dos recursos naturais requer o compromisso de países buscarem o desenvolvimento sem comprometer a sustentabilidade ambiental do planeta Terra. O desenvolvimento sustentável precisa do conhecimento científico e tecnológico por meio de novos valores sociais, econômicos e ambientais.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Aqui, trazemos as escolas com professores qualificados como espaços essenciais para contribuir para o alcance da sustentabilidade. Com base na experiência docente da autora principal, desde 2012, e nas atividades pedagógicas e conteúdos sobre sustentabilidade abordados em materiais didáticos de Ensino Médio (ROCHA, 2023), neste estudo relatamos atividades propostas para abordar sustentabilidade em sala de aula, e a importância do diálogo entre coordenação de ensino e docentes.
Fundamentação Teórica
Em 2015, a ONU estabeleceu a Agenda 2030 para o DS, com o compromisso dos países membros a tomar medidas ousadas e transformadoras de promoção ao desenvolvimento sustentável para os próximos 15 anos (PLATAFORMA AGENDA 2030, 2021). Assim, a inserção da EA nas agendas escolares, após duas conferências ambientais (1972 e 1992), buscaria uma perspectiva holística de ação, entendendo o ser humano como principal responsável pela degradação ambiental (JACOBI, 2003). A sustentabilidade seria um contexto de aprendizagem que apoiaria objetivos educacionais ainda mais amplos (BARTH, 2016).
Metodologia
A fundamentação teórica baseia-se na literatura publicada, teses e dissertações sobre educação e sustentabilidade. Os resultados apresentam-se aprofundados sobre os resultados da dissertação de mestrado da autora principal (ROCHA, 2023), que analisou apostilas adotadas em dois sistemas de ensino médio privado à luz dos Objetivos de Sustentabilidade da Agenda 2030 (ODS) e entrevistou 9 docentes sobre dificuldades de inserir o tema sustentabilidade em sala de aula. O roteiro de entrevistas foi aprovado pelo CEP institucional.
Análise e Discussão dos Resultados
Apesar dos materiais de Ensino Médio analisados seguirem as diretrizes vigentes da nova BNCC e da intensificação de discussões sobre a Agenda 2030, verificamos a ausência de conteúdo direto sobre a sustentabilidade nos materiais em todas as disciplinas analisadas. Porém, o cotejamento dos conteúdos frente aos ODS evidenciou que a maioria das disciplinas tem potencial de alcançar um ou mais ODS em seus conteúdos programáticos ao longo do Ensino Médio. Contudo, é fundamental que a gestão escolar reconheça e apoie os docentes nas dificuldades que enfrentam para essas inserções.
Considerações Finais
A carência de diretrizes claras para a integração da sustentabilidade na educação leva ao afastamento da conscientização ambiental, social e econômica no currículo educacional. Materiais didáticos organizados a partir da estrutura fragmentada e com conteúdos padronizados prejudicam o debate socioambiental em sala de aula e a compreensão de conhecimentos para uma leitura crítica do mundo natural e social dos estudantes. Os coordenadores pedagógicos devem reconhecer e apoiar os docentes em suas dificuldades e capacitá-los a promoverem discussões acerca do mundo além dos materiais didáticos.
Referências
ARAÚJO, M. F. F.; MEDEIROS, M. L. Q. Materiais didáticos públicos como ferramenta educativa para a sustentabilidade em região semiárida brasileira. Indagatio Didactica, v. 11, n. 2, p. 63-76, 2019.
BRASIL, Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: Educação é a Base, 2017.
DOMINGUES, I. O Coordenador Pedagógico e a Formação Contínua do Docente na Escola. São Paulo: Cortez, 2014.
FIGUEIREDO, R. A. de. Educação para a sustentabilidade; novidade ou resgate de significado? Revista Polêmica, E-publicações Universidade Estadual do Rio de Janeiro, v. 12, n. 4, p. 1-10, 2021.