Resumo

Título do Artigo

Cuidado com as emoções ao investir e consumir
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Tema

Finanças Sustentáveis

Autores

Nome
1 - Mariana do Nascimento Medeiros
Universidade Federal do Ceará - UFC - FEAAC Responsável pela submissão
2 - ERICO VERAS MARQUES
Universidade Federal do Ceará - UFC - FEAAC

Reumo

Introdução
A tomada de decisão, antes explicada pela racionalidade plena da Teoria da Utilidade Esperada, vem sendo questionada pelas Finanças Comportamentais, que revelam a influência das emoções. Contudo, ainda há lacunas quanto ao efeito diferenciado de emoções positivas e negativas sobre risco, investimento e consumo. Assim, este estudo investiga tais impactos, tema relevante diante da instabilidade econômica e da digitalização do consumo, ao integrar essas dimensões em um mesmo modelo analítico. O artigo apresenta referencial teórico, metodologia, análise dos resultados e considerações finais.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Os modelos clássicos, como a Teoria da Utilidade Esperada, assumem plena racionalidade nas decisões. Contudo, as Finanças Comportamentais mostram que emoções positivas e negativas influenciam escolhas, alterando percepção de risco, decisões de investimento e comportamento de consumo. Assim, este estudo busca compreender de que forma as emoções impactam a tomada de decisão, analisando seus efeitos sobre risco, investimentos e padrões de consumo.
Fundamentação Teórica
Kahneman e Tversky (1979), ao desenvolverem a Teoria do Prospecto, demonstraram que os indivíduos não agem de forma plenamente racional, pois avaliam ganhos e perdas de maneira assimétrica, reagindo mais intensamente às perdas do que a ganhos equivalentes. Esse resultado evidencia que escolhas financeiras não seguem apenas a lógica da maximização da utilidade. De modo complementar, Yoshinaga e Ramalho (2014) destacam que heurísticas e vieses influenciam o processo decisório, podendo conduzir a julgamentos distorcidos e a padrões de comportamento que se afastam da racionalidade esperada.
Metodologia
O estudo é exploratório-descritivo, com abordagem quantitativa. Realizou-se revisão da literatura, construção do referencial teórico, planejamento e aplicação de questionário estruturado no Google Forms, com 154 respondentes. O instrumento incluiu questões de perfil e assertivas em escala Likert de seis pontos. Os dados foram tabulados no Excel e analisados por estatística descritiva (médias, medianas e desvio padrão), adotando-se como critério a predominância de respostas superiores a 50% para validação ou rejeição das hipóteses propostas.
Análise e Discussão dos Resultados
A pesquisa confirmou que emoções positivas ampliam o consumo (H1), estimulam investimentos mais ousados (H2) e aumentam a propensão ao risco (H3), ainda que com cautela. Já as negativas reduziram gastos discricionários (H4), reforçaram investimentos conservadores (H6) e intensificaram a aversão ao risco (H7). Apenas o consumo compensatório (H5) não foi confirmado, possivelmente pela baixa renda da amostra. Assim, emoções mostraram-se determinantes nas decisões financeiras, afetando consumo, investimentos e percepção de risco, evidenciando seu papel central no comportamento econômico.
Considerações Finais
As análises evidenciam que a tomada de decisão não pode ser explicada apenas pela racionalidade, como sugerem os modelos clássicos. Emoções positivas mostraram-se associadas ao aumento da propensão ao risco, a investimentos mais ousados e ao crescimento do consumo. Já emoções negativas intensificaram a aversão ao risco, favoreceram escolhas conservadoras e, em alguns casos, estimularam o consumo compensatório. Conclui-se, portanto, que fatores emocionais são determinantes no comportamento econômico e financeiro.
Referências
KAHNEMAN, Daniel; TVERSKY, Amos. Prospect theory: an analysis of decision under risk. Econometrica, v. 47, n. 2, p. 263-291, 1979. YOSHINAGA, Claudia Emiko; RAMALHO, Thiago Borges. Finanças comportamentais no Brasil: uma aplicação da teoria da perspectiva em potenciais investidores. Revista Brasileira de Gestão de Negócios – RBGN, v. 16, n. 52, p. 594-615, 2014. DOI: https://doi.org/10.7819/rbgn.v16i52.1865.