Introdução
Em Porto Velho-RO, a comunidade da Reserva Extrativa Lago do Cuniã (RESEX Lago do Cuniã) vem trabalhando nos últimos 7 anos para estruturar um projeto de turismo de base comunitária- TBC. Dentro do território, o Lago do Cuniã banha as cinco comunidades da RESEX. Uma das peculiaridades é que no lago se concentram mais de 35.000 espécies de jacarés. Este fato despertou em ambientalistas, estudantes, pesquisadores e demais interessados uma motivação para visitar a RESEX que oferece passeios na floresta, passeios de barco, observação de pássaros e jacarés e culinária a base de jacarés.
Problema de Pesquisa e Objetivo
A RESEX Lago do Cuniã é habitada por uma comunidade tradicional ribeirinha, pescadora e extrativista. A comunidade é detentora de saberes locais que configuram um atrativo potencial para a prática do turismo. A colaboração tem se mostrado um caminho possível para o TBC. Dessa forma, tendo como objeto de estudo a RESEX, questiona-se: Como as redes de colaboração contribuem para o desenvolvimento do turismo de base comunitária na RESEX Lago do Cuniã? Objetivo geral do artigo: analisar as redes de de colaboração que atuam no desenvolvimento do TBC na Resex Lago do Cuniã.
Fundamentação Teórica
Foi adotado como referencial teórico a Teoria do Capital Social de Robert Putnam (2000) e o estudo de Tristan Claridge (2018) sobre Teoria do Capital Social e redes. O capital social permite que indivíduos acessem recursos e oportunidades que, isoladamente, não estariam disponíveis. A mensuração desse capital considera seu nível, a qualidade das relações e a extensão das redes sociais. Trata-se de fenômenos complexos dada sua multiplicidade de formas e expressões (MATHEWS, 2021). São definidos como capital social de vínculo (bonding), ponte (bridging) e conexão/ligação (linking).
Metodologia
Optou-se pela adoção de uma abordagem de métodos mistos. Dessa forma, buscou-se confirmar os resultados com mais robustez; explorar e explicar o estudo de forma mais rica e ampliar a validade dos achados. O estudo dividiu-se em: pesquisa bibliográfica, pesquisa de campo com realização de entrevistas semiestruturadas e análise e interpretação dos dados.
Análise e Discussão dos Resultados
A rede de colaboração da RESEX é heterogênea, com uma combinação de atores comunitários, órgãos públicos, universidade (UNIR) e entidades privadas (SEBRAE e Consultoria Bruna Fava). O mapa apresenta uma estrutura descentralizada parcial, com alguns atores exercendo papel de hubs (SEBRAE e ICMBio) e outros com inserção mais periférica (MTur, SESC, SEMAGRIC, SEMA, SETUR). É Caracterizada por uma baixa densidade, característica de uma rede com poucas conexões em relação ao seu potencial máximo. A rede é direcional indicando que há relações assimétricas. O SEBRAE possui o maior número laços.
Considerações Finais
A análise da rede de colaboração da RESEX Lago do Cuniã demonstra que a rede é multicêntrica com 6 atores centrais (SEBRAE, ICMBio, UNIR, ASMOCUM, Restaurante do Seu Jorge e Consultoria Bruna Fava). Essa predominância reflete a busca das comunidades por apoio técnico, institucional e financeiro para estruturar o TBC e ampliar sua capacidade de gestão e sustentabilidade. A rede é direcional e revela que os atores sociais da comunidade necessitam estar mais ativos no processo de estruturação do turismo. Muitas conexões externas sugerem dependência e
possível perda de coesão comunitária.
Referências
FERREIRA, Jean Carlos Estanislau et al. A Teoria da Complexidade como contribuição para o desenvolvimento das pesquisas no campo do Turismo de Base Comunitária na América Latina. Caderno Virtual de Turismo, v. 1, n. 1, p. 169-186, 2024.
CLARIDGE, Tristan. Functions of social capital–bonding, bridging, linking. Social capital research, v. 20, n. 1, p. 1-7, 2018.
ENDLICH, Ângela Maria; TEIXEIRA, Juliana Carolina. Turismo de base comunitária: experiências em pequenas localidades. Redes. Revista do Desenvolvimento Regional, v. 27, p. 1-23, 2022.