Introdução
Este artigo revisa a literatura internacional sobre o papel das universidades na formação da intenção empreendedora. Em um ambiente marcado por incertezas sociais, econômicas e ambientais, o ensino superior enfrenta o desafio de se reinventar (Etzkowitz et al., 2000). Nesse contexto, o empreendedorismo emerge como resposta estratégica, com as universidades atuando como agentes-chave na promoção do comportamento empreendedor. A revisão analisa como fatores institucionais, cognitivos e sociais influenciam esse processo.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O artigo parte do seguinte problema: como as universidades influenciam a formação da intenção empreendedora no ensino superior? O objetivo é analisar a produção científica internacional sobre o tema, identificando contribuições teóricas, metodológicas e práticas que evidenciem o papel das instituições acadêmicas no estímulo ao comportamento empreendedor.
Fundamentação Teórica
O artigo apoia-se na Teoria do Comportamento Planejado (Ajzen, 1991), que associa intenção empreendedora a atitudes, normas subjetivas e controle percebido. A Teoria Institucional (DiMaggio & Powell, 1991) contribui ao destacar pressões do ambiente universitário. Etzkowitz e Leydesdorff (2000) sustentam o papel das universidades empreendedoras. Estudos recentes, como Slomski et al. (2024) e Al-Ajlouni e Saad (2024), reforçam a influência institucional no fomento ao empreendedorismo.
Metodologia
A pesquisa adota abordagem qualitativa, com revisão sistemática da literatura. O corpus foi composto por 73 resumos de artigos científicos indexados nas bases Web of Science, Scopus e ACM. Utilizou-se uma estratégia combinada de busca automatizada e amostragem em bola de neve (Biernacki & Waldorf, 2016). A análise foi apoiada pelas ferramentas Parsifal e IRaMuTeQ, permitindo organizar os dados e identificar padrões de similaridade textual no campo do empreendedorismo universitário.
Análise e Discussão dos Resultados
A análise evidenciou que as universidades influenciam diretamente a intenção empreendedora ao oferecerem ambientes institucionais favoráveis e integrados à inovação. A literatura destaca o uso da Teoria do Comportamento Planejado e da Teoria Institucional. Em contextos desafiadores, como os atuais, promover o empreendedorismo universitário se mostra uma estratégia eficaz para responder às transformações sociais, econômicas e ambientais que demandam ação integrada.
Considerações Finais
O estudo contribui para compreender como as universidades podem fomentar a intenção empreendedora em contextos desafiadores. A partir da literatura analisada, reforça-se a importância de políticas institucionais, modelos pedagógicos e ambientes inovadores que estimulem o comportamento empreendedor. Conclui-se que a articulação entre teorias, práticas e ferramentas analíticas é essencial para fortalecer o papel estratégico do ensino superior. Futuras pesquisas podem explorar análises completas dos textos, incluir outras bases e considerar recortes regionais ou temáticos mais específicos.
Referências
AJZEN, I. The theory of planned behavior. Organizational Behavior and Human Decision Processes, v. 50, n. 2, p. 179–211, 1991.
DiMAGGIO, P.; POWELL, W. The iron cage revisited. American Sociological Review, v. 48, n. 2, p. 147–160, 1991.
ETZKOWITZ, H.; LEYDESDORFF, L. The dynamics of innovation. Research Policy, v. 29, n. 2, p. 109–123, 2000.
SLOMSKI, V. G. et al. Universities as enablers of entrepreneurial intention. Journal of Entrepreneurship Education, v. 27, n. 2, 2024.
AL-AJLOUNI, M. M.; SAAD, M. A. Entrepreneurship and social development. Access Journal, v. 5, n. 3, p. 562–578, 2024.