Resumo

Título do Artigo

Justiça energética e literacia energética: uma proposta de relação conceitual
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Tema

Educação e Sustentabilidade

Autores

Nome
1 - Júlia Frantz Predabon
Escola de Gestão e Negócios - Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) - Administração - Linha Específica em Gestão para Inovação e Liderança Responsável pela submissão
2 - Fernanda da Silva Momo
UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul - FCE
3 - Giovana Sordi Schiavi
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4 - Ariel Behr
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Reumo

Introdução
No contexto da transição energética justa surgem os conceitos de justiça e literacia energéticas, para apontar e mitigar injustiças atuais e futuras dos sistemas energéticos (Heffron & McCauley, 2017; Jenkins et al., 2016) e educar, alfabetizar indivíduos para que tomem decisões mais conscientes sobre energia e sejam participantes, não espectadores, nas decisões que os afetam (DeWaters & Powers, 2013; Jaradat et al., 2024).
Problema de Pesquisa e Objetivo
A literatura aceita que há uma conexão entre sociedades alfabetizadas em energia e mitigação de injustiças, apesar de sua relação não ser direta (Awolesi et al., 2024; Gladwin et al., 2022). No entanto, não há evidências na literatura quanto à relação dos componentes desses conceitos e se tal esforço os aproximaria. Dessa forma, o objetivo do presente ensaio teórico é propor uma relação entre os conceitos e os componentes de justiça energética e literacia energética.
Fundamentação Teórica
Os componentes da justiça energética abordados no presente ensaio teórico são a justiça distributiva, processual, com base em reconhecimento, propostos por Jenkins et al. (2016), a restaurativa (Heffron & McCauley, 2017) e a intergeracional (Sovacool & Dworkin, 2015). Os de literacia energética se baseiam nos propostos por DeWaters e Powers (2013): conhecimentos socio-técnico-culturais, afetos, que se refere a valores, senso de responsabilidade e consciência energética e comportamentos.
Metodologia
A proposição teórica se deu a partir de uma revisão sistemática da literatura realizada nas bases Web of Science (WOS) e Scopus. 71 artigos iniciais foram obtidos a partir de quatro buscas com as strings “energy justice” AND “energy literacy”; “energy justice” AND literacy; “energy literacy” AND justice e “energy literacy” AND just*. Após a exclusão de 41 duplicatas com o Rayyan, leu-se os títulos, resumos e palavras-chave dos 30 estudos restantes. Excluiu-se mais 18 por desconexão com o tema ou outros tipos de publicações, restando 12 artigos na amostra final.
Análise e Discussão dos Resultados
Entende-se que a literacia energética impacta positivamente na geração de justiça energética, ainda que não existam evidências dessa relação ser direta (Awolesi et al., 2024; Heffron & McCauley, 2017; Sovacool & Dworkin, 2015). Gladwin et al. (2022) apontam que abordar os conceitos de justiça energética em ações de literacia energética a tornam mais concreta. Diante disso, a tese do presente ensaio teórico é que a justiça energética deve ser considerada como lente da literacia energética para facilitar a compreensão e operacionalização da justiça energética.
Considerações Finais
A proposta contribui para a literatura ao tornar a justiça energética mais acessível e compreensível, a partir da sua inserção em ações de literacia energética para públicos diversos, os quais abrangem desde cidadãos a decisores públicos. A abordagem de literacia energética proposta permite que tomadores de decisão compreendam e apliquem a justiça energética. Educadores também têm uma abordagem para conscientizar cidadãos sobre os componentes sociais inerentes aos sistemas energéticos, permitindo que sejam participantes ativos e alertas na transição energética justa.
Referências
Awolesi, O., Salter, C. A., & Reams, M. (2024). A Systematic Review on the Path to Inclusive and Sustainable Energy Transitions. Energies, 17(14), 3512. https://doi.org/10.3390/en17143512 Gladwin, D., Karsgaard, C., & Shultz, L. (2022). Collaborative learning on energy justice: International youth perspectives on energy literacy and climate justice. The Journal of Environmental Education, 53(5), 251–260. https://doi.org/10.1080/00958964.2022.2113019