Resumo

Título do Artigo

RISCOS CLIMÁTICOS E O PROGRAMA DE GARANTIA DA ATIVIDADE AGROPECUÁRIA (PROAGRO) ANÁLISE PARA A REGIÃO SUL DO BRASIL
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Tema

Agronegócios e Sustentabilidade

Autores

Nome
1 - NATHALIA TOLENTINO DE LIMA ABREU
UNB Universidade de Brasília - Pós-Graduação em Agronegócios da Universidade de Brasília
2 - Elen Presotto
UNB Universidade de Brasília - Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária Responsável pela submissão

Reumo

Introdução
Os riscos climáticos são uma preocupação recorrente no mundo. Os impactos vão desde oscilações de preços (FACCIA; PARKER; STRACCA, 2021; KOTZ et al., 2024), preocupação com políticas de mitigação e efeitos no acesso a alimentos (HASEGAWA et al., 2018), como também riscos de aumento de desigualdade econômica, sobrecarga em sistema de saúde e até a desestabilização de sistemas monetários e políticos (KOTZ et al., 2025). Os riscos climáticos configuram um problema complexo, de certa forma uma dicotomia, pois já se sabe que haverá impacto nos preços seja com mitigação ou por falta de oferta.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Em termos de valores as perdas globais agregadas entre os anos de 1991 a 2021 chegam a US$ 3,8 trilhões, o que corresponde uma média de US$ 123 bilhões por ano, esse valor equivale a 5% do PIB agrícola global e a quase 300 milhões de toneladas de perdas acumuladas por ano (FAO, 2023). Assim, este estudo busca responder: em que medida o Proagro tem respondido aos riscos climáticos e financeiros na Região Sul do Brasil? Com o objetivo de analisar os acionamentos do Proagro nos estados do Sul do Brasil em função dos riscos climáticos e financeiros.
Fundamentação Teórica
O risco voltado para a produção de alimentos pode ser caracterizado como: idiossincrático, que se refere a perdas frequentes, porém de baixo impacto, que afetam indivíduos ou pequenos grupos, como a perda em uma única propriedade; o intermediário, que abrange eventos menos frequentes, mas com perdas mais significativas, como granizo, geadas ou inundações que atingem algumas propriedades em uma mesma região; e o risco catastrófico, associado a eventos extremos e sistêmicos, como secas prolongadas ou enchentes generalizadas, que impactam amplas áreas e populações (CEBALLOS et al., 2025).
Metodologia
Para analisar simultaneamente a evolução temporal do Proagro (valor de acionamento) e o impacto da temperatura, precipitação acumulada, valor de acionamento, preços das culturas, produtividade e a presença de El Ninõ e La niña nos três estados (RS, SC e PR), estimou-se o modelo via dados em painel para a cultura da soja, milho e trigo. Foram realizados testes, como de: raiz unitária, cointegração, autocorrelação, heterocedasticidade e correlação contemporânea (GREENE, 2008). O modelo determinado pelos testes foi Efeito Fixo. Mais detalhes sobre os dados estão disponíveis em Abreu (2025).
Análise e Discussão dos Resultados
Em resumo os resultados indicam que a ocorrência da La Niña afeta de forma distinta as culturas analisadas: aumento no valor de acionamento do Proagro para milho e soja, e redução para o trigo. Para o trigo, destacaram-se como significativas as variáveis produtividade média (positivo) e La Niña (negativo), ambas ao nível de 5%. Para a soja, o fenômeno La Niña e a temperatura média foram significativas ao nível de 5%. Para o milho, as variáveis significativas ao nível de 5% foram: preço do milho (lnPM), produtividade média (lnPMM) e ocorrência do fenômeno La Niña.
Considerações Finais
Os resultados deste estudo evidenciam que tanto os fatores climáticos quanto os econômicos exercem influência sobre o acionamento do Proagro, com variações entre as culturas analisadas. A ocorrência do fenômeno La Niña demonstrou impacto heterogêneo, intensificando os acionamentos para o milho e a soja, e reduzindo-os no caso do trigo, o que reforça a necessidade de políticas diferenciadas por cada tipo de cultura. Além disso, o papel do preço e da produtividade apontam para possíveis efeitos de risco moral e para a interação entre o seguro, o crédito rural e a intensificação produtiva.
Referências
ABREU,N.T.L.AnálisedoProagroeriscosclimáticosnoSuldoBrasil:2013–2023.UnB,2025. CARVALHO,A.L.etal.ImpactsofextremeeventsonBrazilianagriculture.Sust.Debate,2020,v.11,n.3,p.197–210. CEBALLOS,F.etal.AgriculturalInsurance:PoliciesforReducingFarmerRisk.IFPRI,2025.p.245264. FACCIA,D.;PARKER,M.;STRACCA,L.https://doi.org/10.2139/ssrn.3981219 FAO.Impactofdisastersonagricultureandfoodsecurity.2023. GREENE,W.H.Econometricanalysis.PrenticeHall,2008. HASEGAWA,T.etal.https://doi.org/10.1038/s41558-018-0230-x KOTZ,M.etal.doi.org/10.1088/1748-9326/ade45f KOTZ,M.etal.https://doi.org/10.1038/s43247-023-01173-x