Introdução
O aumento da população, do consumo e da produção industrial impacta a sustentabilidade dos recursos naturais (Molina, 2019). O Relatório de Brundtland (1987) consolidou o conceito de desenvolvimento sustentável, hoje guiado pelos 17 ODS. O ensino superior exerce papel fundamental, tanto na integração das questões de sustentabilidade em programas acadêmicos e de pesquisa, quanto na capacitação de profissionais e comunidades. Este estudo busca contribuir com as discussões acerca dos indicadores de sustentabilidade em instituições públicas de ensino superior.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Apesar do crescimento das práticas sustentáveis, ainda há necessidade de compreender a evolução da produção científica sobre indicadores de sustentabilidade em instituições públicas de ensino superior. O objetivo do estudo é investigar a evolução e as tendências dessa produção científica, por meio de uma Revisão Sistemática da Literatura (RSL).
Fundamentação Teórica
O conceito de sustentabilidade é entendido pela ótica do Triple Bottom Line (TBL), que equilibra os pilares ambiental, social e econômico (Elkington, 2012). No ensino superior, iniciativas históricas como a Declaração de Estocolmo (1972), a Declaração de Talloires (1990) e a Iniciativa HESI (2012) reforçam o compromisso das universidades com a sustentabilidade. As dimensões de educação verde, pesquisa verde e campus verde (Zhao & Zou, 2015) estruturam a atuação das universidades nesse campo.
Metodologia
Foi realizada uma Revisão Sistemática da Literatura (RSL), seguindo protocolos predefinidos (Sampaio; Mancini, 2007; Kitchenham et al., 2009). O recorte temporal abrangeu os anos de 2019 a 2023, com buscas nas bases Web of Science, Scopus, Science Direct e Scielo Brasil. Critérios de inclusão e exclusão foram aplicados para refinar a amostra. A qualidade dos artigos foi avaliada por meio de um Índice de Qualidade (IQ), considerando critérios gerais e específicos. Os dados foram tratados com o auxílio dos softwares Bibliometrix e Excel.
Análise e Discussão dos Resultados
Houve crescimento progressivo das publicações: 14 estudos (2019), 13 (2020), 15 (2021), 18 (2022) e 25(2023). Os periódicos mais recorrentes foram Sustainability (24,7%), Inter. J. of Sustainability in Higher Education (16,4%) e Journal of Cleaner Production (4%). Foram identificados 275 autores, com destaque para Adenle, Yusuf A., que possui maior centralidade nas redes de coautoria. As principais ferramentas de avaliação identificadas foram: Times Higher Education (THE), UI Green Metric, SUM, STARS, QSWorld University Rankings e Pegada Ecológica.
Considerações Finais
Conclui-se que as publicações estão concentradas em periódicos internacionais de alto impacto, evidenciando a relevância global da temática. A dispersão de autores mostra um campo em expansão, embora alguns nomes, como Adenle, Yusuf A., se destaquem. Os instrumentos de avaliação mais utilizados reforçam o papel das universidades na mensuração da sustentabilidade. O estudo evidencia que o interesse acadêmico cresce a cada ano, refletindo a importância estratégica dos indicadores de sustentabilidade para instituições públicas de ensino superior.
Referências
MOLINA, M. C. G. Desenvolvimento sustentável: do conceito de desenvolvimento aos indicadores desustentabilidade. Revista Metropolitana de Governança Corporativa, v. 4, n. 1, p. 75-93, 2019.
ELKINGTON, J. Sustentabilidade: canibais com garfo e faca. São Paulo: M. Books, 2012.
ZHAO, W.; ZOU, Y. Green university initiatives in China: a case of Tsinghua University. I. J. of Sustainability in Higher Education, v. 16, n. 4, 491-506, 2015.
KITCHENHAM, B. et al. Systematic literature reviews in software engineering–a systematic literaturereview. Infor. and soft. technology,v. 51,n. 1, p. 7-15, 2009.