Introdução
O termo environmental, social and governance (ESG) se refere a práticas ambientais, sociais e de governança integradas à gestão empresarial. A competitividade, entendida como a capacidade de ampliar ou manter participação no mercado, influencia diretamente sua adoção. Em contextos de maior concorrência, algumas organizações veem o ESG como diferencial estratégico para atrair investidores e fortalecer a reputação, enquanto outras o consideram um custo que pode comprometer a rentabilidade (Mohammad; Wasiuzzaman, 2021; Ni et al., 2024; Wanyan; Zhao, 2024).
Problema de Pesquisa e Objetivo
No Brasil, a adoção de práticas ESG ainda é voluntária, o que indica que fatores como a competitividade de mercado podem afetar sua abrangência e consistência. Diante desse contexto, surge a questão de pesquisa que orienta este estudo: Qual a influência da competitividade de mercado nas práticas ESG de companhias abertas listadas na B3? Nesse sentido, o objetivo geral da pesquisa é verificar a influência da competitividade de mercado nas práticas ESG de companhias abertas listadas na B3.
Fundamentação Teórica
Pesquisas recentes têm investigado fatores que influenciam na adoção das práticas ESG. No Brasil, estudos associam ESG à inovação ambiental (Rizzi et al., 2022), diversidade de gênero (Degenhart et al., 2024) e fase do ciclo de vida da empresa (Moreira et al., 2023), enquanto Teixeira (2024) não encontrou relação com desempenho. Internacionalmente, pesquisas vinculam ESG a melhor desempenho, acesso a crédito, inovação e reputação (Mohammad e Wasiuzzaman, 2021; Ni et al., 2024; Wanyan e Zhao, 2024), por exemplo. Competitividade permanece como um fator que ainda merece atenção.
Metodologia
A pesquisa é descritiva, documental e quantitativa, com dados do período de 2015 a 2024. O desempenho ESG foi mensurado pelo ESG Score da Refinitiv Eikon e a competitividade por meio do Índice de Herfindahl-Hirschman (HHI). Essa forma de avaliar o ESG e a competitividade já foi utilizada em pesquisas anteriores, como as de Rizzi et al. (2022) e Degenhart et al. (2023). Variáveis de controle como tamanho, ROA, alavancagem, valor de mercado e número de analistas foram incluídas. A análise dos dados foi realizada por meio de estatística descritiva e regressão linear múltipla.
Análise e Discussão dos Resultados
A análise, realizada com base em regressões lineares múltiplas, evidenciou que empresas inseridas em setores com maior grau de competitividade apresentaram maiores escores ESG, tanto no índice geral quanto nos pilares ambiental, social e de governança. Adicionalmente, identificou-se que variáveis como tamanho, rentabilidade, valor de mercado e maior cobertura por analistas também influenciaram positivamente na adoção dessas práticas. Assim, os resultados sugerem que, em ambientes de maior competição, práticas ESG são utilizadas como estratégia de diferenciação e geração de valor.
Considerações Finais
Os resultados têm implicações teóricas e práticas. No campo acadêmico, a pesquisa contribui para o aprofundamento do debate sobre os determinantes das práticas ESG, ao evidenciar o papel da competitividade de mercado como variável explicativa relevante. No campo prático, oferece subsídios para gestores, investidores e formuladores de políticas públicas interessados em promover ambientes de negócios mais sustentáveis e transparentes.
Referências
DEGENHART, Larissa et al. Efeitos da competitividade de mercado na relação entre responsabilidade social corporativa e desempenho. Enfoque: Reflexão Contábil, v. 42, n. 1, p. 69-86, 2023.
Strategies, v. 11, n. 1, p. 65-83, 2019.
NI, Kejin et al. How ESG enhances corporate competitiveness: Mechanisms and Evidence. Finance Research Letters, v. 69, p. 106249, 2024.
WANYAN, Ruiyun; ZHAO, Tongpu. The contradictory impact of ESG performance on corporate competitiveness: Empirical evidence from China's Capital Market. Journal of Environmental Management, v. 371, p. 123088, 2024.