Resumo

Título do Artigo

Compreendendo as relações entre o fazer cultural e as condições de trabalho dos agentes culturais da cidade de Catolé do Rocha
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Tema

Gestão de Pessoas e Sustentabilidade

Autores

Nome
1 - Fidel Paiva Viana
Universidade Federal do Ceará - UFC - PPAC - FEAAC - UFC Responsável pela submissão
2 - Genaldo Silva Lima
Universidade Federal do Ceará - UFC - Faculdade de Economia, Administração, Atuária e Contabilidade
3 - Sandra Maria dos Santos
Universidade Federal do Ceará - UFC - Universidade Federal do Ceará

Reumo

Introdução
O trabalho na cultura é marcado por informalidade, intermitência e engajamento afetivo. A instabilidade das políticas públicas e a lógica da economia criativa, que incentiva a autogestão, agravam a precarização em áreas periféricas. Em Catolé do Rocha, PB, a produção cultural se sustenta com voluntariado e editais esporádicos, um modo de atuação que combina vocação e ativismo, mas sem garantias sociais. Este artigo busca entender essa relação, investigando mecanismos de instabilidade e estratégias de resistência dos agentes culturais locais por meio de entrevistas.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Problema: Como o fazer cultural afeta as condições de trabalho? Objetivo: Compreender a relação entre fazer cultural e condições de trabalho em Catolé do Rocha-PB.
Fundamentação Teórica
A fundamentação teórica discute a precarização do trabalho no setor cultural, que é historicamente informal e instável. A instabilidade é agravada pela descontinuidade das políticas públicas de cultura e pela ascensão da lógica da economia criativa. Essa lógica transfere a responsabilidade pelo sucesso para o indivíduo, incentivando a autogestão e a competição, mesmo em cenários de escassez. A análise se baseia em autores vêem a atividade artística como um "paradoxo do artista", onde a incerteza é é aceita pela promessa de reconhecimento simbólico.
Metodologia
A pesquisa é qualitativa e exploratória, usando um estudo de caso em Catolé do Rocha-PB para entender profundamente as condições de trabalho dos agentes culturais. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com quatro agentes, selecionados por terem no mínimo 10 anos de atuação e renda prioritariamente da cultura. Os dados foram analisados com a técnica de análise de conteúdo de Bardin (2011) , e todos os participantes assinaram um termo de consentimento que garantiu anonimato.
Análise e Discussão dos Resultados
A análise revelou que a instabilidade do trabalho em Catolé do Rocha se manifesta pela intermitência das oportunidades e pela ausência de políticas públicas contínuas, levando a uma renda imprevisível e vínculos informais. A precarização se evidencia no acúmulo de funções, sobrecarga e desvalorização simbólica do trabalho, visto muitas vezes como "algo sem valor profissional". Como estratégias de resistência, os agentes culturais utilizam a multifuncionalidade, a autoformação e a criação de redes de apoio, impulsionados pela paixão pelo ofício.
Considerações Finais
O estudo, focado em Catolé do Rocha, mostrou que o trabalho cultural no interior é marcado por instabilidade e precarização, apesar do forte vínculo afetivo com a arte. Os agentes enfrentam a falta de políticas públicas, informalidade e sobrecarga, e a responsabilidade pelo sucesso recai sobre o indivíduo. Como resistência, eles desenvolvem estratégias como multifuncionalidade, autoformação e redes colaborativas. As conclusões reforçam a urgência de valorizar e proteger o trabalho cultural, reconhecendo sua potência criativa e coletiva.
Referências
A lista de referências inclui 13 trabalhos, que fornecem a base conceitual e teórica do estudo. As fontes citadas abrangem autores como Ricardo Antunes, com obras sobre a precarização e a nova morfologia do trabalho , e Pierre-Michel Menger, que aborda as especificidades do trabalho artístico. O artigo também se apoia em trabalhos sobre economia criativa e empreendedorismo, como o de Rocha & Marquezan (2018), e em estudos de caso sobre a produção cultural em contextos periféricos, como o de Guerreiro et al. (2021) . Além disso, utiliza a metodologia de Bardin (2011) para a análise de conteúdo