Introdução
A globalização intensificou fluxos comerciais e exigiu maior integração logística. Nesse contexto, a Rota da Integração Latino-Americana (RILA), especialmente o Eixo Capricórnio, conecta Brasil, Paraguai, Argentina e Chile aos oceanos Atlântico e Pacífico. Mais que corredor de exportação, representa reposicionamento do Cone Sul nas cadeias globais de valor. Contudo, atravessa ecossistemas frágeis e comunidades tradicionais, demandando uma abordagem sustentável baseada na Economia Azul e na educação ambiental.
Fundamentação e Discussão
A Economia Azul integra inovação, conservação e desenvolvimento, considerando rios, lagos e oceanos como recursos vitais. No Mato Grosso do Sul, mesmo sem litoral, a Bacia Platina conecta o estado ao Atlântico, mostrando a interdependência hídrica. A RILA traz ganhos logísticos, mas também riscos ambientais e sociais. Nesse cenário, critérios ESG, inovação tecnológica, saberes tradicionais e governança multinível tornam-se cruciais. A educação ambiental, reinterpretada como educação azul, fortalece cidadania e competitividade sustentável.
Conclusão
A RILA é oportunidade estratégica para o Cone Sul, mas sua legitimidade depende da sustentabilidade. Incorporar a Economia Azul, critérios ESG, inovação e educação ambiental é primordial para alinhar competitividade e conservação. A educação azul fortalece participação comunitária e governança, ampliando a responsabilidade hídrica. Assim, a Rota pode se consolidar como corredor sustentável e exemplo global de integração que une desenvolvimento econômico, justiça social e preservação ambiental.
Referências
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