Introdução
A responsabilidade social corporativa (RSC) tornou-se central na estratégia empresarial, sendo avaliada pelo comportamento ético e ações sociais e ambientais das empresas (Porter; Kramer, 2019). O conselho de administração pode desempenhar um papel essencial na efetivação da RSC, alinhando práticas ambientais e sociais à estratégia e governança da empresa (Endrikat et al., 2021). Além disso, a folga financeira (ROA) caracteriza-se em potencializar investimentos em RSC, e desempenho financeiro sólido, podendo favorecer o engajamento em práticas sociais e ambientais (Khan; Serafeim; Yoon, 2022).
Problema de Pesquisa e Objetivo
Como se dá a relação entre as características do conselho de administração, a folga financeira e a responsabilidade social corporativa de empresas no Brasil? Para isso, analisa o tamanho, a diversidade e a independência do conselho, bem como a folga financeira, sobre a RSC, nas dimensões ambiental e social, ampliando a discussão à luz das teorias da Agência e dos Stakeholders.
Tem como objetivo examinar a relação das características do conselho de administração e da folga financeira (ROA) com a RSC no Brasil, um mercado com alta concentração acionária e desafios ambientais e sociais.
Fundamentação Teórica
A RSC traduz o compromisso ético das empresas frente a desafios como sustentabilidade e direitos humanos, fortalecendo relações, legitimidade e resiliência dos negócios (Mendes; Rocha, 2023).
O conselho de administração é um pilar da governança corporativa, tende a orientar as empresas e promover a RSC nas dimensões ambiental e social (García Martín; Herrero, 2020).
A folga financeira, definida como recursos excedentes para operações da empresa, pode influenciar positivamente a RSC, pois significa recursos que podem ser direcionados para investimentos em ações (Islam; Ghosh; Khatun, 2022).
Metodologia
Abordagem quantitativa com regressões em painel sobre 62 empresas não financeiras listadas na B3 entre 2013 e 2023, totalizando 532 observações. Para tratar autocorrelação e heterocedasticidade, aplicou-se o método XTGLS. A multicolinearidade foi descartada pelo VIF (<10). Para analisar como variáveis independentes, através das características do conselho de administração (tamanho, diversidade e independência), e a folga financeira, influenciam a responsabilidade social corporativa (RSC), medida pelas pontuações (variam de 0 a 10) ambiental e social da Refinitiv.
Análise e Discussão dos Resultados
Os resultados indicam que características do conselho e fatores organizacionais influenciam a RSC. Conselhos maiores (p= 0,000), diversos (p = 0,000) em gênero e com mais independentes (pValue = 0,001) favorecem maior engajamento social. A folga financeira (ROA) (p = 0,073),também estimula práticas responsáveis, enquanto o endividamento não apresentou efeito. Empresas maiores tendem a investir mais em RSC devido à maior visibilidade e recursos. Assim, governança fortalecida e condições financeiras favoráveis são determinantes centrais para a promoção da RSC no contexto brasileiro.
Considerações Finais
Os resultados indicam que conselhos maiores, com mais diversidade de gênero, e mais conselheiros independentes, aliados à maior rentabilidade e ao porte das empresas, são capazes de favorecer práticas sustentáveis nas dimensões ambiental e social. Sob as Teorias da Agência e dos Stakeholders, essas características do conselho de administração são elementos que tendem a fortalecer a supervisão, o alinhamento de interesses, e a promoção de decisões estratégicas mais socialmente responsáveis. O estudo contribui para compreender a RSC no Brasil, em conjunto com o conselho e a folga financeira.
Referências
GARCÍA-MARTÍN, C. J.; HERRERO, B. Do board characteristics affect environmental performance? A study of EU firms. Corporate Social Responsibility and Environmental Management, v. 27, n. 1, p. 74–94, 2020.
ISLAM, S. M. T.; GHOSH, R.; KHATUN, A. Slack resources, free cash flow and corporate social responsibility expenditure: evidence from an emerging economy. Journal of Accounting in Emerging Economies, 2022.
MENDES, F. L.; ROCHA, P. S. RSC e governança corporativa após crises financeiras: transparência e sustentabilidade. Journal of Corporate Governance Studies, v. 8, n. 1, p. 112-130, 2023.