Resumo

Título do Artigo

ECOLOGIA POLÍTICA DA MINERAÇÃO NA SERRA DO CURRAL: TERRITÓRIOS, DISPUTAS ORGANIZACIONAIS E RESISTÊNCIAS
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Tema

Gestão Ambiental

Autores

Nome
1 - Vitor Carvalho Gomes
Universidade Federal de Minas Gerais UFMG - Faculdade de Ciências Administrativas Responsável pela submissão
2 - Ana Beatriz Cabral Gomes Cardoso Lana Dias
Universidade Federal de Minas Gerais UFMG - Faculdade de Ciências Econômicas (FACE)
3 - Valderí de Castro Alcântara
Universidade Federal de Minas Gerais - Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Reumo

Introdução
Os conflitos em torno da Serra do Curral ultrapassam a dicotomia entre desenvolvimento e preservação, envolvendo disputas políticas, jurídicas, simbólicas e afetivas. Este estudo parte da compreensão da Serra como território vivo, atravessado por memórias, afetos e resistências, e propõe uma leitura que vai além da gestão técnica e da racionalidade instrumental, buscando articular os Estudos Organizacionais e a Ecologia Política para evidenciar como diferentes racionalidades e projetos de mundo se confrontam.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Nosso problema de pesquisa consiste em compreender como organizações, Estado e sociedade civil constroem, legitimam ou contestam narrativas em torno da exploração da Serra do Curral. O objetivo é analisar como o conflito socioambiental se articula no discurso público, evidenciando relações de poder, práticas de resistência e os efeitos organizacionais desses embates.
Fundamentação Teórica
Ancoramo-nos na Ecologia Política, que permite desvelar as dimensões materiais, simbólicas e políticas dos conflitos ambientais (Leff, 2001; Acselrad, 2004), e no conceito de neoextrativismo (Gudynas, 2009; Svampa, 2012), que revela a lógica de expansão das atividades minerárias articulada à financeirização e ao papel regulador do Estado. Dialogamos também com os Estudos Organizacionais críticos, ao conceber as organizações como arenas políticas onde se produzem e disputam significados, territórios e legitimidades (Marquesan & Figueiredo, 2018).
Metodologia
Adotamos a Análise Crítica do Discurso (Fairclough, 2001, 2005) como abordagem teórico-metodológica. O corpus empírico foi composto por reportagens jornalísticas publicadas entre março de 2018 e abril de 2025, selecionadas por relevância e representatividade. Estruturamos a análise em três dimensões interdependentes: texto, práticas discursivas e práticas sociais, a fim de revelar o conteúdo ideológico dos enunciados e os mecanismos de poder que moldam o debate público.
Análise e Discussão dos Resultados
Identificamos cinco categorias analíticas: (1) territorialização/desterritorialização; (2) injustiça ambiental; (3) instituições, valores e interesses em colisão; (4) poder e resistência; (5) formas de mobilização. Os resultados mostram que a Serra do Curral é simultaneamente patrimônio cultural, recurso econômico e território de vida, alvo de processos de captura institucional e licenciamento flexível. Também evidenciamos resistências multiescalares artísticas, jurídicas e científicas, que reconfiguram o debate público e criam alternativas de governança orientadas pela justiça socioambiental.
Considerações Finais
Concluímos que a mineração da Serra do Curral não pode ser compreendida apenas sob a ótica técnica ou econômica: ela é um fenômeno político e organizacional que redefine territórios e relações sociais. A análise revela que o discurso de desenvolvimento e sustentabilidade é mobilizado como estratégia de legitimação do extrativismo, ao passo que a resistência atua como força de reconfiguração simbólica e institucional. Sugerimos que pesquisas futuras aprofundem o estudo das práticas de resistência e explorem metodologias etnográficas e comparativas com outros territórios minerários.
Referências
Acselrad (2004, 2010), Fairclough (2001, 2005), Gudynas (2009), Leff (2001), Svampa (2012, 2019), Zhouri (2019) e demais listados no anexo.