Introdução
A própolis é uma substância resinosa e complexa produzida por abelhas a partir de exsudatos coletados em brotos, cascas e folhas, os quais são transformados por enzimas salivares e misturados à cera da colmeia. Sua composição é majoritariamente formada por resinas e bálsamos (45–55%), ceras (8–35%),óleos essenciais e compostos aromáticos (5–10%), ácidos graxos (?5%) e outras substâncias orgânicas e minerais (Irigoiti et al., 2021;Tavares et al., 2022). Essa diversidade química resulta em um perfil rico de fenólicos, flavonoides e terpenos, associados a atividades antimicrobiana, antioxidante.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Este trabalho visa apresentar um panorama abrangente da própolis vermelha de Alagoas, abordando sua origem, importância ecológica, e os desdobramentos econômicos, sociais, ambientais, tecnológicos e científicos. O objetivo é posicionar a própolis vermelha como um ativo estratégico da bioeconomia brasileira, destacando a necessidade de articulação entre ciência, inovação e políticas públicas para sua plena valorização.
Fundamentação Teórica
A própolis vermelha, produzida por Apis mellifera a partir de exsudatos de Dalbergia ecastophyllum, fitoquímica singular, rica em isoflavonas, flavonoides e fenólicos. Essa composição está associada a atividades antimicrobiana, antioxidante, anti-inflamatória, imunomoduladora e antitumoral. A Dalbergia ecastophyllum, espécie lenhosa perene de ecossistemas costeiros, é a única fonte botânica conhecida da resina utilizada na própolis vermelha, e sua conservação é crucial para a sustentabilidade da cadeia. No Brasil, há alta concentração de isoflavonas e o interesse farmacológico/nutracêutico.
Metodologia
Pesquisa bibliográfica e documental, de caráter qualitativo e exploratório, abrangendo o período de 2005a 2025. O levantamento bibliográfico utilizou bases de dados como SciELO, Scopus, Science Direct, Google Acadêmico e Periódicos CAPES, com descritores como “própolis vermelha”, “Dalbergia ecastophyllum”, “indicação geográfica” e “patentes própolis vermelha”. O levantamento documental contemplou bases de propriedade intelectual (INPI, WIPO/Patentscope, Espacenet), além de materiais institucionais e relatórios específicos, com foco na análise de pedidos de patente e publicações científicas.
Análise e Discussão dos Resultados
A análise dos resultados revelou uma produção científica contínua sobre própolis vermelha no período de2008 a 2025, com 44 publicações indexadas na Base de Dados de Periódicos da CAPES, sobretudo nas Ciências Biológicas. No que tange à proteção intelectual, houve 50 pedidos de patente no INPI entre2005 e 2025, um crescimento acentuado a partir de 2015, indicando um interesse tecnológico e científico em suas aplicações farmacêuticas, cosméticas e alimentares. A Indicação Geográfica (IG) obtida em2012, fortalece a reputação e a governança do produto, e a prospecção tecnológica e novos avanços.
Considerações Finais
A própolis vermelha de Alagoas, um ativo estratégico da bioeconomia, une a singularidade de sua origem botânica à robusta evidência científica de suas propriedades bioativas. O crescimento contínuo de publicações e pedidos de patentes, e o reconhecimento da Indicação Geográfica, reforça seu potencial de mercado. A conversão do potencial em valor territorial e econômico, padronização química, avanço em evidências clínicas, garantia de um suprimento sustentável da planta e o fortalecimento do ambiente de negócios, por meio de arranjos colaborativos e a valorização da propriedade intelectual.
Referências
ALBUQUERQUE, K. S. P.; TONHOLO, J. Propolis Vermelha de Alagoas - uma oportunidade de negóciosustentável. Programa de Pós-Graduação em Tecnologias Ambientais - PPGTEC. IFAL MarechalDeodoro, 2021.
ALENCAR S.M., OLDONI T.L., CASTRO M.L., CABRAL I.S., COSTA-NETO C.M., CURY J.A., ROSALENP.L., IKEGAKI M. Chemical composition and biological activity of a new type of Brazilian propolis: redpropolis. J Ethnopharmacol. v. 5; n. 113(2), p. 278-83, 2007. Disponível em:https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17656055/ Acesso em 13 jun. 2025.
ALMUHAYAWI, Mohammed Saad. Propolis as a novel antibacterial agent.