Resumo

Título do Artigo

COISIFICAÇÃO, INSTABILIDADE E NEGAÇÃO DO PERTENCIMENTO: O RETRATO DA TERCEIRIZAÇÃO NA UNIVERSIDADE PÚBLICA
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Tema

Gestão de Pessoas e Sustentabilidade

Autores

Nome
1 - AÉCIO DA SILVA MARTINS
Universidade Federal de Santa Maria - UFSM Responsável pela submissão
2 - Marcelo Roberto Becker
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3 - Jairo da Luz Oliveira
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4 - Sheila Kocourek
UFSM - UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA - Ccsh

Reumo

Introdução
A reestruturação produtiva e a lógica neoliberal consolidaram a precarização estrutural do trabalho (Cardoso, 2022; Souza et al., 2021). A terceirização simboliza esse processo, expressando a coisificação humana ao transformar vidas em mercadorias descartáveis, marcadas por rotatividade e ausência de vínculos (Antunes, 2018; 2020). A informalidade e a flexibilização ampliam vulnerabilidades (Oliveira, 2022; Cabral; Silva; Souza, 2021). Nas universidades públicas, como a UFSM, os terceirizados são indispensáveis, mas seguem invisíveis e sem reconhecimento.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Problema de pesquisa: Como a terceirização, ao transformar trabalhadores em recursos descartáveis, submetidos à rotatividade e sem vínculos, expressa a coisificação humana e reforça a precarização estrutural nas universidades públicas? Objetivo: Analisar a terceirização na UFSM a partir da categoria de coisificação humana, evidenciando seus efeitos sobre precarização, invisibilidade, cidadania e direito ao trabalho decente, indo além da dimensão econômica e alcançando aspectos sociais e políticos.
Fundamentação Teórica
O trabalho é central para a constituição do ser social, mas no capitalismo torna-se alienante, reduzindo o trabalhador a objeto submetido à lógica da valorização do valor (Marx, 2013; Lukács, 2012; Antunes, 2018). A terceirização fragmenta relações, amplia a rotatividade e transfere riscos, intensificando a precarização (Cardoso, 2022; Oliveira, 2022; Dal Rosso, 2008). Longe de natural, é uma construção social ligada a escolhas políticas que ampliam desigualdades de classe, gênero e raça (Artur; Cardoso, 2019; Souza; Ferraz, 2023)
Metodologia
O estudo é qualitativo e exploratório, orientado pelo método crítico-dialético, fundamentado no materialismo histórico e nas categorias de historicidade, totalidade e contradição (Kosik, 2002; Netto, 2011; Minayo, 2007). O campo empírico foi a UFSM, com 11 terceirizados, 3 gestores e 2 representantes da empresa. As entrevistas semiestruturadas duraram em média 45 minutos, com aprovação ética (Parecer 4.466.161, Resolução CNS nº 510/2016). A análise de discurso permitiu organizar os relatos em eixos como precarização e invisibilidade (Gagneten, 1987).
Análise e Discussão dos Resultados
A terceirização na UFSM evidencia a coisificação humana, transformando trabalhadores em mercadorias sublocadas e descartáveis (Marx, 1982; Lukács, 2003; Viana, 2015). A alta rotatividade reforça a instabilidade e naturaliza a precarização estrutural (Antunes, 1995; Druck, 2008; Pelatieri et al., 2018). Já os vínculos fragilizados negam reconhecimento e pertencimento, convertendo relações humanas em objetos (Iamamoto, 2006; Alves; Martins, 2020). Assim, a invisibilidade e a desumanização consolidam a lógica capitalista de exploração no espaço universitário.
Considerações Finais
A terceirização nas universidades públicas não é mero arranjo administrativo, mas processo que intensifica precarização, instabilidade e nega pertencimento. Na UFSM, trabalhadores são tratados como peças descartáveis, invisíveis e sem vínculos (Antunes, 2018; Druck, 2011; Castel, 1998). Esse cenário desumaniza o trabalho e fragiliza a cidadania laboral (Iamamoto, 2008; Ferraz, 2020). Romper com a lógica de mercantilização e reconhecer terceirizados como sujeitos de direitos é condição para resgatar dignidade e centralidade do trabalho (Marx, 2011; Lukács, 2012).
Referências
CARDOSO, Adalberto. A construção social da precariedade: relações de trabalho e desigualdades no Brasil contemporâneo. São Paulo: Ed. Unesp, 2022. SOUZA, Thiago; et al. Precarização do trabalho no Brasil contemporâneo: entre o mito da modernização e a realidade da exploração. Revista Ibero-Americana de Estudos do Trabalho, São Paulo, v. 5, n. 2, p. 77-95, 2021. ANTUNES, Ricardo. O privilégio da servidão: o novo proletariado de serviços na era digital. São Paulo: Boitempo, 2018. ANTUNES, Ricardo. Trabalho intermitente e uberização: a precarização estrutural do trabalho. São Paulo: Boitempo, 202