Resumo

Título do Artigo

PARTICIPAÇÃO COLETIVA OU VOZES ISOLADAS? DESAFIOS DO URBAN FACILITIES MANAGEMENT NA CIDADE DE SÃO PAULO
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Tema

Cidades Sustentáveis e Inteligentes

Autores

Nome
1 - Robson Quinello
SENAI Cimatec - Vila Mariana Responsável pela submissão
2 - Graziela Boni
SENAI Cimatec - Anchieta
3 - Camila Praim
SENAI Cimatec - Senai Anchieta

Reumo

Introdução
O Urban Facilities Management (UFM) amplia os princípios do Facilities Management para o contexto urbano, articulando infraestrutura, serviços públicos e participação cidadã. Em São Paulo, o programa Participe+ emerge como experiência de democracia digital e orçamento participativo. Com mais de 12 milhões de habitantes, a cidade representa um campo singular para investigar como plataformas digitais podem fortalecer a governança urbana e legitimar decisões coletivas.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Apesar do potencial do Participe+, pouco se sabe sobre a distribuição territorial, a intensidade de apoio e a qualidade discursiva das propostas submetidas. O problema de pesquisa consiste em verificar se a plataforma de fato amplia a diversidade de vozes ou se reproduz desigualdades de engajamento. O objetivo é analisar os dados do Participe+ para identificar padrões de participação, agendas prioritárias e limites da mobilização cidadã no contexto do UFM.
Fundamentação Teórica
A literatura recente aponta o UFM como campo emergente capaz de integrar tecnologia, sustentabilidade e governança democrática (Abdelkarim et al., 2023; He & Chen, 2024; Gohari, 2025). Revisões destacam a resiliência urbana e a qualidade de vida como dimensões centrais (Temeljotov Salaj & Lindkvist, 2021). A participação cidadã, desde Porto Alegre, baseia-se em democracia, justiça social e controle cidadão (Sintomer et al., 2005), sendo reforçada por novas dinâmicas digitais (Touchton et al., 2019; Nazaruddin & Kamil, 2025).
Metodologia
O estudo é observacional, quantitativo e exploratório, com base em 2.619 propostas extraídas do Participe+ em agosto de 2025. O tratamento foi conduzido em R (v.2024) com tidyverse e ggplot2. O texto das propostas foi analisado com tidytext, syuzhet e TF-IDF, permitindo mapear sentimentos, identificar palavras-chave e comparar vocabulários entre subprefeituras. Variáveis como número de apoios, categorias temáticas e autoria foram estruturadas para revelar padrões de participação e engajamento.
Análise e Discussão dos Resultados
Os resultados apontam concentração temática em Zeladoria Urbana, Saúde e Direitos Humanos, refletindo demandas de serviços básicos. Categorias como Esportes e Segurança Urbana tiveram alta média de apoios, indicando maior intensidade de engajamento proporcional. A análise de sentimentos revelou predominância positiva em Cultura e Mobilidade, enquanto Direitos Humanos e Habitação apresentaram maior equilíbrio. A concentração de autoria em poucos indivíduos evidencia limites da participação coletiva e desigualdade na mobilização social.
Considerações Finais
O Participe+ reforça o potencial de plataformas digitais para democratizar decisões orçamentárias, mas apresenta limitações quanto à diversidade de vozes e à efetiva representatividade coletiva. O UFM mostra-se adequado como arcabouço analítico ao integrar demandas sociais, territorialidades e serviços urbanos. Implicações práticas incluem priorizar serviços essenciais e desenvolver estratégias de engajamento comunitário. Futuras pesquisas devem explorar séries históricas, comparações intermunicipais e uso de inteligência artificial para ampliar previsibilidade e transparência.
Referências
As referências incluem estudos sobre UFM, governança digital e participação cidadã, como Abdelkarim et al. (2023), He & Chen (2024), Gohari (2025), Temeljotov Salaj & Lindkvist (2021), Sintomer et al. (2005), Touchton et al. (2019), Valla (1998), Wickham et al. (2019) e Prefeitura de São Paulo (2025), entre outros, seguindo a norma ABNT.