Introdução
As mudanças climáticas intensificam impactos ambientais e sociais, estimulando a criação de mercados de carbono como mecanismo de mitigação. No Brasil, o mercado voluntário de carbono (MVC) combina grande potencial de oferta com desafios de credibilidade, transparência e engajamento do consumidor. Este artigo busca compreender como fatores de confiança, percepção de valor e comunicação moldam a consolidação do MVC sob a ótica do marketing e do comportamento do consumidor.
Fundamentação e Discussão
A literatura sobre o MVC aponta três dimensões centrais: confiança e transparência, ligadas a padrões e verificações; comportamento e disposição a pagar, influenciados por conhecimento, preço e percepção de impacto; e dispositivos de mercado, como certificações e selos, que estruturam legitimidade. No Brasil, persistem dúvidas sobre integridade, fragmentação de padrões e baixa participação. Estratégias de marketing que simplifiquem a compra, reforcem credibilidade e conectem créditos a co-benefícios são cruciais para engajar consumidores, sobretudo jovens, com narrativas autênticas.
Conclusão
Conclui-se que a consolidação do MVC no Brasil depende de mecanismos regulatórios, mas sobretudo da capacidade de engajar consumidores por meio do marketing. A agenda proposta aponta três frentes: curto prazo, evidências empíricas sobre confiança e disposição a pagar; médio prazo, comparações entre Brasil e outros contextos; longo prazo, integração entre dispositivos de mercado e políticas públicas. Avançar nessa agenda é crucial para posicionar o Brasil como referência global no tema.
Referências
Kreibich & Hermwille (2020); Lang, Blum & Leipold (2020); Vargas, Sobrinho & Morgado (2022); GlobeScan (2022); One Planet Network (2023); Ecosystem Marketplace (2023; 2025); ICAP (2024); ICC Brasil & WayCarbon (2021); Planalto (2024).