Resumo

Título do Artigo

Decente ou precário? dinâmicas laborais de entregadores-ciclistas
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Tema

Políticas Públicas para a Sustentabilidade

Autores

Nome
1 - ANA CLARA APARECIDA ALVES DE SOUZA
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS)
2 - Maira Petrini
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) - Programa de Pós-Graduação em Administração - Escola de Negócios
3 - Davi Davila souza
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS - Escola de Negócios Responsável pela submissão

Reumo

Introdução
O estudo examina o trabalho precário em plataformas digitais com foco em entregadores-ciclistas de Porto Alegre/RS. Esse trabalho, marcado por insegurança, longas jornadas, baixos salários e falta de direitos, foi ampliado pela reforma trabalhista de 2017 e pela expansão das plataformas. A “uberização” impõe controle algorítmico, atraindo jovens vulneráveis sem qualificação e oferecendo apenas sobrevivência temporária. Com 15 entrevistas, revelam-se ciclo de precarização, controle da plataforma e mecanismos compensatórios.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Estudos recentes analisam as condições de trabalho dos entregadores por aplicativos e destacam movimentos de resistência, como a greve de 2020 durante a pandemia. Neste contexto, este estudo investigou a percepção de trabalho decente entre entregadores-ciclistas em Porto Alegre/RS. Com 15 entrevistas semiestruturadas e abordagem indutiva, foi desenvolvido um framework com três dinâmicas: ciclo vicioso da precarização, ações de controle da plataforma e mecanismos compensatórios, revelando tensão entre representação coletiva e regulação e ampliando a compreensão da uberização e seus impactos.
Fundamentação Teórica
O conceito de trabalho decente, formulado pela OIT (1999), propõe emprego produtivo com renda justa, segurança, proteção social, liberdade sindical e igualdade de oportunidades (OIT, 2017; Ghai, 2003). Em contraste, a precarização expressa a deterioração das condições laborais por flexibilização, informalidade e baixos salários, processo ligado ao neoliberalismo desde os anos 1970 (Antunes, 2008; Alves, Kalleberg, 2009). As plataformas digitais intensificam essa lógica: a chamada uberização combina controle algorítmico e ausência de direitos, afetando especialmente entregadores-ciclistas.
Metodologia
O estudo adotou uma abordagem exploratória qualitativa, buscando compreender em profundidade o fenômeno investigado. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas, que possibilitaram aos participantes relatar experiências e percepções de forma aberta e detalhada, favorecendo a emergência de significados a partir de suas vivências. A análise dos dados seguiu as técnicas da Grounded Theory, metodologia que combina coleta e interpretação de informações em um processo interativo e sistemático, permitindo a construção de categorias e o desenvolvimento de teorias fundamentadas empiricamente.
Análise e Discussão dos Resultados
A relação dos entregadores com a regulamentação do trabalho evidencia uma tensão entre o desejo de representação coletiva e a rejeição à formalização. Eles buscam proteção, mas não querem abrir mão da flexibilidade considerada essencial. Esse paradoxo reflete necessidades, percepções e desinformações, em que a precariedade é tolerada pela dependência econômica das plataformas. Superar esse impasse exige diálogo e conscientização sobre os benefícios de uma regulamentação equilibrada, além do fortalecimento de associações que ampliem a negociação e garantam direitos.
Considerações Finais
Este estudo aprofunda o entendimento do trabalho em plataformas ao analisar a percepção de entregadores-ciclistas sobre trabalho decente em um cenário de informalidade, instabilidade e ausência de proteção social. Com abordagem qualitativa e indutiva, identifica dinâmicas que evidenciam precarização e significados atribuídos à autonomia. Os resultados oferecem subsídios para políticas que conciliem flexibilidade com garantias mínimas de proteção, segurança e representação coletiva, reconhecendo a necessidade de justiça social no trabalho digital.
Referências
Alves, L. D. (2022). A divisão racial do trabalho como um ordenamento do racismo estrutural. Revista Katálysis,25, 212-221. André, R. G.? Silva, R. O. da? Nascimento, R. P. (2023) “Precário não é, mas eu acho que é escravo”: Análise do Trabalho dos Motoristas da Uber sob o Enfoque da Precarização. Revista Eletrônica de Ciência Administrativa, 18(1), 7–34. Antunes, R. (2008). Século XXI: nova era da precarização estrutural do trabalho. In Anais do Seminário Nacional de Saúde Mental e Trabalho, São Paulo.