Introdução
As mudanças climáticas reforçam a urgência de práticas sustentáveis e a educação desponta como eixo estratégico nesse processo. Instituições de ensino não apenas transmitem conhecimento, mas também moldam atitudes e hábitos pró-ambientais (Morin, 2000; Freire, 1996). A Educação para o Desenvolvimento Sustentável (UNESCO, 2005) busca formar cidadãos críticos e conscientes. Nesse cenário, escolas técnicas representam espaços privilegiados para promover engajamento socioambiental e diagnosticar como fatores sociodemográficos e psicossociais interagem para influenciar condutas sustentáveis.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O problema central consiste em compreender até que ponto características sociodemográficas e acadêmicas influenciam a adoção de práticas sustentáveis em estudantes do ensino técnico. O objetivo geral é estimar os determinantes da APS, considerando renda, tempo de curso e participação prévia em ações ambientais, além de verificar a robustez desses efeitos quando ajustados por hábito (HAB) e normas sociais percebidas (NORM), elementos centrais da Teoria do Comportamento Planejado.
Fundamentação Teórica
O comportamento pró-ambiental (CPA) é explicado por fatores individuais, sociais e contextuais. Modelos clássicos, como a Teoria do Comportamento Planejado (Ajzen, 1991; 2011), destacam atitudes, normas e percepção de controle como preditores de intenções. Bandura (1986; 1997) inclui a autoeficácia, enquanto teorias sobre hábitos (Verplanken; Aarts, 1999) ressaltam a repetição em contextos estáveis. Estudos recentes (Lozano, 2023; Kumar et al., 2023) apontam a integração de fatores psicossociais e sociodemográficos.
Metodologia
Estudo quantitativo, descritivo-exploratório e transversal, com 91 estudantes de uma escola técnica de Fortaleza/CE. Os dados foram coletados via questionário validado (Pato; Tamayo; Paz, 2006; Reis Neto et al., 2021). Variáveis independentes: renda, tempo de curso, participação prévia em ações de sustentabilidade. Variáveis proximais: hábitos (HAB) e normas sociais percebidas (NORM). APS foi mensurada em escala Likert padronizada (0–100). As análises incluíram estatística descritiva, correlações de Spearman e regressões OLS com erros-padrão robustos.
Análise e Discussão dos Resultados
A amostra exibiu nível moderado de APS (média = 61,7). Correlações indicaram associação positiva entre APS e HAB (? = 0,54) e NORM (? = 0,46). Nos modelos multivariados, participação prévia e tempo de curso apresentaram efeitos iniciais positivos, mas atenuados após controle por HAB e NORM. Estes últimos mostraram-se determinantes mais consistentes (? = 11,22 e ? = 8,84; p < 0,01). O R² ajustado alcançou 36%, evidenciando maior poder explicativo dos fatores psicossociais. Os achados confirmam parcialmente H1a e corroboram H1b, em consonância com a literatura sobre hábitos e normas.
Considerações Finais
O estudo evidencia que hábitos e normas sociais percebidas são os principais determinantes da adoção de práticas sustentáveis, enquanto variáveis sociodemográficas têm efeitos limitados. Sugere-se estimular a sustentabilidade, criar rotinas institucionais de baixo atrito e tornar normas mais visíveis. Limitações incluem delineamento transversal e amostra não probabilística. Pesquisas futuras devem ampliar amostras, adotar métodos longitudinais e explorar mediações psicossociais, oferecendo subsídios para políticas educacionais orientadas ao fortalecimento da sustentabilidade escolar.
Referências
AJZEN, I. The theory of planned behavior. OBHDP, 1991.
AJZEN, I. The theory of planned behaviour. Psychology & Health, 2011.
BANDURA, A. Social foundations of thought and action. 1986.
BARTH, M.; RIECKMANN, M. Journal of Cleaner Production, 2012.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia. 1996.
JACOBI, P. Educação ambiental, cidadania e sustentabilidade. Cadernos de Pesquisa, 2003.
LOZANO, R. Business Strategy and the Environment, 2023.
MORIN, E. A cabeça bem-feita. 2000.
PATO, C. M. L.; TAMAYO, Á.; PAZ, M. G. T. Estudos de Psicologia, 2006.
REIS, J. F. et al. Research, Society and Development, 2021.