Introdução
O interesse pela integração das práticas Environmental, Social and Governance (ESG) ao desempenho financeiro tem crescido nas últimas décadas. A teoria dos shareholders orienta a maximização do lucro como objetivo central (Friedman, 1970; DeAngelo, 2025), enquanto a teoria dos stakeholders passou a reconhecer o papel das práticas ESG na geração de valor sustentável (Freeman & Mcvea, 2001; Freeman & Phillips, 2002; Freeman, Phillips & Sisodia 2020; Friede, Busch, & Bassen, 2015; Rami?, 2019; Taliento, Favino & Netti, 2019; Zhao et al., 2018; Spercel, 2024; Hart & Bouchet, 2025).
Problema de Pesquisa e Objetivo
No Brasil, estudos sobre a relação entre desempenho ESG e indicadores financeiros mostram resultados divergentes. Alguns indicam relação positiva, enquanto outros apontam impacto negativo da dimensão ambiental (Garcia & Arango, 2020). Há evidências de correlação significativa entre social e desempenho financeiro (Degenhart, Vogt, & Hein, 2018), embora alguns estudos revelem efeitos negativos (Crisóstomo, Freire, & Vasconcellos, 2014; Soares, Abreu, & Rebouças, 2020). Assim, tem-se como objetivo investigar o impacto entre indicadores de ESG e indicadores de desempenho financeiro.
Fundamentação Teórica
Relacionada à visão da teoria dos Stakeholders, a sustentabilidade pode contribuir como fonte de criação de valor, a partir da relação entre meio ambiente e sociedade, por meio de estratégias definidas pela organização (Feng et al., 2025; Dsouza et al. (2024). Pesquisas recentes indicam que um bom desempenho ESG pode melhorar o desempenho financeiro em determinados países. O que traz significativas informações para investidores, administração de empresas e tomadores de decisão (Possebon et al., 2024; Taliento et al., 2019; Zhao, et al. 2018).
Metodologia
O objeto de pesquisa deste trabalho compreende as empresas não financeiras listadas na Brasil, Bolsa, Balcão (B3). A amostra é composta por 59 empresas, coletadas na Refinitiv Eikon, no período de 2015 a 2024, compondo um painel balanceado. As variáveis utilizadas foram classificadas em: financeiras, ESG e de controle. Utilizou-se o método de painel dinâmico, por meio do estimador System GMM, conforme proposto por Arellano e Bover (1995) e Blundell e Bond (1998), utilizado via comando xtabond2 no Stata, com base em Roodman (2009) para os dez modelos econométricos.
Análise e Discussão dos Resultados
Destaca-se que quanto maiores práticas ESG do ano anterior, maior é a alavancagem do ano zero. Os resultados indicam que melhores práticas de governança estão associadas a menor alavancagem. A variável retorno sobre o ativo foi positivamente associada à variável ambiental, corroborando a teoria dos stakeholders, assim como as pesquisas de Hart & Bouchet (2025) e Feng et al., (2025). O retorno sobre patrimônio líquido defasada foi negativamente associada ao componente social. Na pandemia, houve aumento das práticas sociais, possivelmente pela pressão dos stakeholders (Freeman & McVea, 2001).
Considerações Finais
Os resultados encontrados nesta pesquisa representam um avanço em relação aos estudos anteriores sobre a temática ao investigar os efeitos dos indicadores ESG, ambiental, social e de governança, ainda pouco explorados no Brasil de forma conjunta, sobre o desempenho. Salienta-se, que este estudo não está isento de limitações. Assim, pesquisas futuras podem tentar abranger um número maior de empresas, testar relações com outros indicadores, bem como outros modelos econométricos. Também pode ser interessante comparar os anos pré e pós pandemia, por meio do método Dif-In-Dif.
Referências
DeAngelo, H. (2025). ESG, corporate piracy and Coasian contracting efficiency. European Financial Management, 31(1), 3–25. https://doi.org/10.1111/eufm.12522.
Freeman, R. E., Phillips, R., & Sisodia, R. (2020). Tensions in Stakeholder Theory. Business & Society, 59(2), 213–231.
Friede, G; Busch, T; Bassen, A. (2015). ESG and financial performance: aggregated evidence from more than 2000 empirical studies. Journal of Sustainable Finance & Investment, 5:4, 210-233.