Introdução
A crescente preocupação com a preservação ambiental e a escassez de recursos naturais tem levado empresas nacionais e internacionais a adotarem práticas mais sustentáveis. Conscientes de que a degradação ambiental compromete o futuro dos negócios e da sociedade, investem em tecnologias verdes, redução de desperdícios e no uso responsável dos recursos naturais. A pressão de consumidores e investidores por práticas éticas e ecológicas também impulsiona a integração da sustentabilidade às estratégias corporativas, contribuindo para um futuro mais sustentável (Silva, Sousa e Leonel, 2024)
Problema de Pesquisa e Objetivo
Partindo dessa realidade no contexto econômico-financeiro, surge o seguinte questionamento: as indústrias salineiras do Rio Grande do Norte analisadas utilizam a contabilidade da gestão ambiental para administrar os seus negócios? A partir desse problema, elaborou-se como objetivo nesta pesquisa: identificar se as duas indústrias salineiras, localizadas no município de Grossos/RN, possuem consciência da importância da contabilidade da gestão ambiental e dos impactos causados no meio ambiente pela atividade.
Fundamentação Teórica
Conforme Moreira, Brito e Lima (2020), diante da crescente preocupação ambiental, a contabilidade ambiental passou a ser proposta às empresas, sobretudo às indústrias de maior risco. Surgida na década de 1970, buscava reduzir impactos sem comprometer a economia. Para Carvalho (2011), as contas são essenciais ao registro contábil, e as ambientais devem ser distintas para melhor evidenciar eventos dessa área. Tal processo é fundamental à análise de stakeholders internos e externos, considerando-se ativos ambientais os bens e direitos voltados à preservação, capazes de gerar benefícios futuros.
Metodologia
A pesquisa foi realizada em duas indústrias salineiras de Grossos/RN, atuantes na moagem do sal marinho destinado ao consumo humano, animal e industrial. De caráter descritivo e qualitativo (Marion et al., 2010; Paiva Júnior, Leão e Mello, 2011), buscou compreender a visão dos gestores sobre a contabilidade da gestão ambiental (Gil, 2017). Configura-se também como estudo de caso (Voss; Tsikriktsis; Frohlich, 2002), com entrevistas e questionários aplicados via Google Formulários. Foram utilizados ainda bibliografia, pesquisa de campo e análise comparativa com Lima et al. (2014) e Lima (2015).
Análise e Discussão dos Resultados
Neste tópico apresentam-se informações das indústrias salineiras comparando a conjuntura atual com a década passada. Os entrevistados possuem ensino superior e pós-graduação, atuando como engenheiro ambiental (A) e diretor (B). Ambos reconhecem os impactos ambientais e adotam ações: a empresa A possui programas de gestão e recuperação; a B terceiriza serviços para atender o MAPA. Ambas destinam recursos e associam questões ambientais à continuidade no mercado. Sobre contabilidade ambiental, as visões divergem. Quanto a orçamentos não teve mudanças. A empresa B avalia migrar para matriz solar.
Considerações Finais
A pesquisa buscou identificar se duas indústrias salineiras possuem consciência da importância da contabilidade da gestão ambiental e dos impactos de sua atividade. Objetivo atingido. Embora a consciência ambiental tenha crescido em 10 anos, o conhecimento sobre a contribuição da contabilidade ainda é limitado. Quanto à sustentabilidade corporativa, observou-se investimento em normas, resíduos e efluentes. Já a segregação de contas ambientais não existe. A aplicação da contabilidade ambiental não é explícita, mas há investimentos sociais e ambientais, revelando campo latente a ser explorado.
Referências
CARVALHO, G. M. B. Contabilidade ambiental teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
MOREIRA, R. S.; BRITO, E. J.; LIMA, R. A. A importância da contabilidade ambiental para as empresas. Revista de Administração e Negócios da Amazônia, v. 12, n. 1, p. 60-77, 2020.
SILVA, R. T. A.; SOUSA, L. E.; LEONEL, A. L. A. R. As obrigações jurídicas e os desafios da Petrobrás na implantação do desenvolvimento sustentável como meio de preservação do meio ambiente. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 5, p. 5824-5840, 2024.