Introdução
A sustentabilidade corporativa, fundamentada no conceito de Triple Bottom Line de Elkington (1997), antecede a consolidação do ESG, formalizado em 2004 pelo relatório Who Cares Wins. O ESG articula dimensões ambientais, sociais e de governança, que vêm adquirindo centralidade nas estratégias empresariais diante das demandas de consumidores e investidores, sobretudo das gerações Y e Z. Este estudo examina Natura&Co, Grupo Boticário, Colgate-Palmolive e Unilever, investigando práticas relatadas em 2023–2024, identificando convergências, diferenças e implicações para reputação e competitividade.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O problema de pesquisa busca analisar de que modo as líderes do setor de cosméticos implementam práticas de ESG e em que medida seus relatórios recentes evidenciam convergências e diferenças nos indicadores ambientais, sociais e de governança? E tem como objetivo é analisar como as líderes do setor de cosméticos implementam práticas de ESG e em que medida seus relatórios mais recentes evidenciam resultados nos três pilares, identificando convergências e diferenças entre as empresas.
Fundamentação Teórica
O conceito de ESG (Environmental, Social and Governance) consolidou-se como eixo central das estratégias empresariais ao integrar desempenho ambiental, social e de governança às decisões corporativas de acordo com Eccles; Lee; Stroehle (2020). No setor de cosméticos, esse movimento se reflete em práticas como insumos orgânicos, embalagens sustentáveis e redução do consumo de recursos. Além de atender às demandas de consumidores e investidores, o ESG fortalece reputação, inovação e vantagem competitiva sustentável.
Metodologia
Este estudo adota abordagem documental, exploratória e qualitativa, com desenho comparativo entre múltiplos casos conforme Creswell & Creswell (2021), a fim de analisar como grandes empresas do setor de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (HPPC) incorporam os pilares ESG em suas estratégias. Foram selecionadas quatro entre as cinco maiores atuantes no Brasil: Natura&Co, Grupo Boticário, Colgate-Palmolive e Unilever. A L’Oréal foi excluída por apresentar relatórios apenas até 2020, inviabilizando comparações com dados de 2024–2025.
Análise e Discussão dos Resultados
A análise evidenciou que práticas ESG funcionam como recursos estratégicos (RBV) de Barney (1991) e respostas institucionais às pressões de stakeholders. A Unilever, Colgate-Palmolive, Natura&Co e Grupo Boticário incorporam os pilares ESG com diferentes níveis de ambição e maturidade. Os relatórios apontam avanços em neutralidade de carbono, energia renovável, diversidade, engajamento comunitário e governança transparente, embora persistam desafios na padronização e profundidade das práticas.
Considerações Finais
A análise evidencia que a integração estratégica do ESG constitui vetor de vantagem competitiva no setor de cosméticos. Unilever, Colgate-Palmolive, Natura&Co e Grupo Boticário apresentam distintos graus de maturidade, mas convergem em avanços ambientais (neutralidade de carbono, energias renováveis), sociais (diversidade, capital humano, engajamento comunitário) e de governança (compliance, transparência, diálogo com stakeholders). Os achados confirmam o ESG como driver competitivo, ainda que persistam desafios de padronização, comparabilidade e prevenção do greenwashing.
Referências
Barney, Jay. Recursos da empresa e vantagem competitiva sustentável. Journal of management , v. 17, n. 1, p. 99-120, 1991.
Creswell, John W.; Creswell, J. D. Projeto de pesquisa: métodos qualitativos, quantitativos e mistos. 5. ed. Porto Alegre: Penso, 2021. E-book. p. 149. ISBN 978-65-81334-19-2.
Eccles, Robert G.; Lee, Linda-Eling; Stroehle, Judith C. The Social Origins of ESG: An Analysis of Innovest and KLD. Organization & Environment, v. 33, n. 4, p. 575-596, 2020.
Elkington, John. Cannibals with forks: the triple bottom line of 21st century business. Oxford: Capstone Publishing, 1997.