Introdução
A economia solidária, baseada em autogestão, cooperação e sustentabilidade, surgiu no Brasil nos anos 1990 como resposta às crises e ao desemprego (Singer, 2002). Hoje, mais de 22 mil empreendimentos movimentam R$ 8 bilhões anuais e envolvem 1,5 milhão de pessoas (SENAES, 2023). No Maranhão, destacam-se agricultura familiar e extrativismo sustentável. Pesquisa qualitativa exploratório-descritiva analisou seis empreendimentos locais, identificando práticas e desafios da gestão ambiental.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Como os princípios da economia solidária contribuem para a implementação de práticas de gestão ambiental em empreendimentos do Maranhão, e quais são os desafios e oportunidades para fortalecimento da dimensão ambiental nestes empreendimentos?
Analisar as práticas de gestão ambiental adotadas por empreendimentos econômicos solidários no Maranhão, identificando como os princípios solidários contribuem para a sustentabilidade ambiental.
Fundamentação Teórica
A economia solidária propõe alternativa ao modelo capitalista, baseada na autogestão, cooperação e sustentabilidade (Singer, 2002; Brasil, 2007). Integra práticas agroecológicas, tecnologias sociais e gestão ambiental participativa (Veiga, 2004; Culti, 2006), conciliando objetivos sociais, econômicos e ambientais (Guerra, 2007). Ao valorizar saberes locais e promover o desenvolvimento territorial, fortalece comunidades e a preservação ambiental.
Metodologia
A pesquisa é um estudo exploratório-descritivo com abordagem qualitativa, envolvendo revisão bibliográfica em bases como SciELO, SPELL e Google Acadêmico e estudo de campo com seis empreendimentos econômicos solidários do Maranhão. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas para analisar práticas ambientais, percepções sobre sustentabilidade, desafios e perspectivas futuras. Os dados foram tratados por análise de conteúdo temática, respeitando princípios éticos, anonimato e participação voluntária.
Análise e Discussão dos Resultados
Os empreendimentos analisados demonstraram práticas ambientais relevantes: 83% possuem sistemas de gestão estruturados, conservam 2.300 ha de áreas naturais e processam 1.440 t/ano de resíduos recicláveis. As ações incluem agricultura agroecológica, manejo sustentável, economia circular e preservação da biodiversidade, beneficiando 163 famílias e gerando R$ 2,4 milhões anuais. Os principais desafios envolvem recursos financeiros, capacitação técnica e acesso a mercados.
Considerações Finais
O estudo mostrou que a economia solidária no Maranhão integra objetivos sociais, econômicos e ambientais, promovendo práticas sustentáveis inovadoras e coletivas. Os empreendimentos demonstraram autogestão democrática e consciência ambiental, mas enfrentam desafios como falta de apoio técnico, financiamento e mercados. Recomenda-se políticas públicas integradas, capacitação em gestão ambiental e fortalecimento de redes solidárias sustentáveis.
Referências
BRASIL. Lei nº 12.305/2010. Política Nacional de Resíduos Sólidos. BRASIL. Atlas da Economia Solidária, SENAES, 2023. CATTANI, A. D. A outra economia. Veraz, 2003. GAIGER, L. I. Economia solidária e desenvolvimento sustentável. Rev. Bras. Ciênc. Sociais, 2023. LIMA, J. C.; SANTOS, M. P. Gestão ambiental participativa. Rev. Gest. Soc. Amb., 2024. SANTOS, B. S.; RODRÍGUEZ, C. Produzir para viver. Civilização Brasileira, 2023. SILVA, R. M. A.; CARNEIRO, L. M. Sustentabilidade em cooperativas. Rev. Econ. Solidária, 2024.